Carmen Pilotto
Piracicaba é uma cidade ímpar quando focamos nas temáticas cultural e artística. Nos últimos dias temos assistido diversas manifestações favoráveis ou contrárias ao projeto de povoar o Engenho Central com os espaços culturais espalhados pela cidade.
Sobre a questão da Pinacoteca, não teria como opinar, pois, estive lá poucas vezes para exposições e não posso avaliar os problemas estruturais do local. Penso que artistas plásticos, agentes culturais e historiadores possam ser consultados sobre a situação do espaço, sua simbologia emblemática e o peso e prejuízos históricos que trariam tal ação.
Mas não posso me abster de comentar sobre a nossa Biblioteca Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda”, que visito periodicamente, participando de ações nas áreas de Literatura que trazem aos escritores muitos resultados agradáveis em um segmento escasso de oportunidades na região.
Trata-se de uma área física que tem um perfil diferente, sentimos a Biblioteca como um universo vivo que conta com uma estrutura moderna de 2,4 mil metros quadrados, que contemplou um projeto com todas adequações de iluminação, acessibilidade, acervos de livros (literatura brasileira, estrangeira, infanto-juvenil, técnico, pesquisa e muito mais).
Além da estrutura, estão sendo desenvolvidos consistentes projetos já consolidados: Prêmio Escriba de Poesia, Prêmio Escriba de Contos, Prêmio Escriba de Crônicas, Prêmio de Micro Contos de Humor, Campanha Amigos da Leitura, Leitura na Praça, Rumos com escolas municipais e particulares, Contação de Histórias entre outros.
Os Grupos Literários utilizam o Anfiteatro para inúmeras atividades, com ações culturais e educativas, além do Hall “Professor Dr. Dalton Belmudes de Toledo”, decorado com expressivas mostras de artistas plásticos e escritores com seus lançamentos e saraus.
Toda semana, o Grupo Oficina Literária lá se reúne para introspecções literárias abertas ao público.
A equipe da Biblioteca é de alto nível técnico e muito coesa. A gente sente uma energia de renovação e dedicação de toda a estrutura orgânica no entorno.
No saguão sempre há doações de livros e apostilas para alunos carentes que podem ter material de apoio para o sucesso na vida universitária.
Poderia discorrer horas sobre o enorme potencial e ambiente moderno que o local oferece, mas acho que todos podem conhecer “in loco” o aprazível equipamento para a cultura e educação de nossa cidade. Penso que apenas alguns reparos sejam necessários, para que a população e as escolas possam continuar a encontrar sempre muito material de qualidade.
Minha sugestão, seria que no Engenho Central fosse construído um aconchegante café, com um espaço de leitura, com pufes e bancos, a exemplo do que oferece um café recém inaugurado no Bairro Monte Alegre. Assim a população poderia ter a oportunidade, com a família, de curtir gastronomia com leitura mais apropriada para momentos de lazer e descontração.
Caso o Senhor Secretário da Cultura, Professor Adolpho Queiroz deseje, estou certa que poderíamos reunir membros dos grupos literários para melhor debater o assunto; acredito no diálogo e em interações presenciais com os grupos para chegar a um ponto comum de agrado da maioria.
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Carmen Pilotto, escritora