Natalia Mondoni
Recentemente, li em um livro a seguinte frase: “A velocidade da luz está obsoleta. Hoje em dia todos se movem na velocidade do querer.” Junto com ela, me veio uma reflexão muito profunda a respeito do tempo, o que fazemos com ele e com os nossos desejos.
De fato, vivemos em tempos quase que frenéticos a respeito de todas as coisas. Se analisamos de forma mais profunda, nunca desejamos tantas coisas. Coisas materiais, coisas subjetivas, emoções e sentimentos. Obviamente, faz parte da nossa humanidade esse nosso “querer”, esse nosso “desejar”, porém talvez seja essa a razão da nossa dificuldade: como balancear tantos desejos e vontades, sendo que o nosso tempo cronológico – aquele mesmo, do relógio, dos dias da semana e meses que passam voando – é limitado, versus tantas demandas que entendemos como desejos? Aí, nos percebemos com uma sensação de incapacidade, pois nos vemos muito distantes de realizar estas coisas que consideramos muito importantes.
Mas, olhando de forma mais sensata para estas nossas vontades, será que nos questionamos o quanto dentro de um aspecto humano nossa real capacidade de realizá-las? O que de fato está dentro das nossas circunstâncias? O que é excesso e o que é prioridade? Parece que muitas vezes idealizamos a forma de realizar aquilo que entendemos como importantes. Ou é assim, ou é assado. Temos resistência em enxergar alternativas mais plausíveis para quase tudo e, enquanto não buscarmos entender como flexibilizar estas alternativas, vamos viver sempre com o sentimento de culpa, de sufocamento, de correria que os nossos dias nos trazem. Nos esquecemos que as respostas das nossas mais profundas dúvidas, ou das coisas mais corriqueiras do dia a dia estão em nós. Nós sabemos o que é melhor. Porém, esses desejos calcados em ideais romantizados nos fazem questionar permanentemente as nossas escolhas. E as redes sociais muitas vezes reforçam isso: vejo alguém fazendo algo, imediatamente me vejo querendo fazer. Mas, isso é para mim, para minha família, para minha vida, para minhas circunstâncias, para o aqui e agora?
Portanto, é fundamental pensarmos sobre nossas prioridades. O que queremos neste momento? O que não abrimos mão? Daí, entender como podemos usar o tempo a nos permitir fazer o que é prioridade. Isto ficando muito claro, entendemos como devemos nos orientar e nos mover, além de proporcionar uma imensa sensação de realização e satisfação: sei que estou fazendo o meu melhor, aqui e agora, para o que escolhi, e sei que uso o tempo da melhor forma possível para realizar o que é importante. E, além de tudo, sei que sou capaz de ser protagonista da minha vida, com meus acertos e minhas imperfeições, na velocidade em que é possível, pois minha atenção está na qualidade daquilo que é mais importante. Sem atalhos.
Faz sentido para você? Com carinho.
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Natalia Mondoni, psicóloga