Barjas Negri
Em recente live, o atual prefeito tentou justificar o injustificável: a perda do Hospital Público Veterinário de Piracicaba. Desrespeitou a população, a Câmara, as ONGs e os protetores/cuidadores independentes. Todos trabalharam muito pela parceria com o governo do Estado, que garantiria sua implantação. Porém, o atual prefeito utilizou como um dos argumentos sua localização no bairro Terra Rica, perto do Cecap/Eldorado, com a seguinte pérola: “não faz sentido uma estrutura desta, no fim do mundo”.
Isso mesmo! “Não faz sentido uma estrutura desta, no fim do mundo”. Parece que morar na periferia é o fim do mundo, esquecendo-se de que lá estão os trabalhadores e trabalhadoras do comércio, da indústria, dos serviços, da construção civil. São esses cidadãos e cidadãs que dinamizam nossa cidade.
Aquela região não é o fim do mundo. Ela tem boa infraestrutura urbana, com acesso por avenida pavimentada e um terminal de ônibus reformado e modernizado. Há anos a Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) lá se instalou. Garantimos junto ao Estado a instalação da sede do 10º Batalhão Especial da Polícia Militar (BAEP). Lá estão o Hospital Ilumina, muitas empresas e comércios, que contribuem para a geração de emprego e renda. Lá tem, sim, gente trabalhadora, que merece todo respeito do poder Público.
Além disso, se a atual gestão tivesse a humildade de fazer uma transição governamental mais objetiva, ou se tivesse lido melhor os relatórios que a comissão de transição pediu e recebeu – mais de 5 mil páginas –, saberia que a localização do Hospital Veterinário foi uma opção do Estado, entre as três áreas apresentadas, porque naquela região há o curso de Medicina Veterinária da Unimep, cuja parceria permitiria ampliar os serviços especializados para os animais das famílias de baixa renda.
Também nessa região está instalada a Faculdade de Medicina Anhembi-Morumbi, com previsão de implantar a segunda Faculdade de Medicina Veterinária na cidade. Com isso, se abriria campo para os estágios obrigatórios dos estudantes, melhorando sua qualificação e ajudando na ampliação dos serviços veterinários na cidade.
Pena esse tipo de preconceito contra os trabalhadores que moram em bairros periféricos. É preciso saber que a cidade de espraiou nos últimos 50 anos e esses bairros mais distantes têm infraestrutura urbana e bons equipamentos sociais: escolas, creches, unidades de saúde, centros comunitários, áreas de lazer e recreação, campos de futebol, varejões e tantos outros serviços.
Piracicaba, ao se tornar a sede da Região Metropolitana com 25 municípios e 1,5 milhão de habitantes, não pode perder seu protagonismo regional. Mais do que isso. Sem o hospital veterinário deixamos de completar a rede de saúde pública que nos últimos anos, apenas para citar conquistas nas nossas gestões, garantiu a Policlínica de Santa Terezinha, a nova sede da Clínica de Fisioterapia, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME/Hospital Dia), a nova sede da Central de Ortopedia e Traumatologia, a Faculdade de Medicina Anhembi-Morumbi, o novo Hospital da Unimed, a nova UPA da Vila Cristina/Jaraguá, o Hospital Ilumina e, finalmente, o Hospital Público Regional Dra. Zilda Arns.
Garantimos também inúmeros serviços especializados desenvolvidos por clínicas e laboratórios médicos. Faltava nessa estrutura o Hospital Público Veterinário, viabilizado com o aporte de R$ 5 milhões do governo estadual, que teve o nosso total apoio à frente da Prefeitura, com a Câmara, ONGs e protetores independentes. Todos unidos pela defesa da saúde animal.
Realmente é uma pena. Mas, a vida é assim! E os bairros periféricos da cidade não são o “fim do mundo”. A saúde pública perdeu um bom equipamento, como também os animais domésticos das famílias de baixa renda que dependem sempre do atendimento do poder Público. Fim do mundo são as políticas públicas negacionistas e equivocadas. A população da periferia merece mais respeito.
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Barjas Negri, ex-prefeito de Piracicaba