Edney Oliveira
“Com o suor do teu rosto comerás o teu pão…” (Gênesis 3:19), com essas palavras Deus estabeleceu uma das principais bases do capitalismo, a meritocracia do ganho. Tal princípio foi seguido com maestria pelos patriarcas, ou você pensa que Abraão enriqueceu sem fazer negócios? Que Davi sendo um monarca soberano poderia simplesmente desapropriar a eira de Araúna para estabelecer um sacrifício de importância nacional ao invés de comprar pelo preço justo? (2º Samuel 24:21-24). Assim os reis, os salmos, os profetas todos falam sobre a propriedade, o relacionamento justo entre empregado e empregador e seus resultados financeiros.
Mas há quem discorde e diga: “O que importa é que seguimos a Jesus e ele mandou dividir o pão com o próximo”. Não duvido e até incentivo tal prática, porém é necessário analisar a relação de Jesus com o dinheiro e o sistema financeiro de sua época e o sentimento das pessoas em relação a ele. Vamos lá?
Das trinta e oito parábolas proferidas por Jesus, dezesseis falam sobre o dinheiro, estava sempre comparando o reino de Deus com a relação entre empregador e servo. Numa delas incentivou a obtenção de lucros ou pelo menos a aplicação financeira (Parábola dos Talentos, Mateus 24:14-30). Falou sobre o justo salário acertado (Mateus 20:2), incentivou o dízimo e o pagamento de impostos (Mateus 22:15-21) e como um cidadão exemplar pagou o seu imposto (Mateus 17:24-27). E observava com atenção quem ofertava no templo (Marcos 12:41-44).
Ele comia com pecadores é fato, não tinha onde reclinar a cabeça, também é fato, mas Jesus tinha relacionamentos com homens influentes e de ganhos financeiros. Graças a sua amizade com José de Arimatéia, um rico membro do Sinédrio, o colégio dos mais altos magistrados em sua época, que Jesus pode ser enterrado após a sua crucificação, cumprindo a profecia de Isaías 53:9, que dizia: “E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.”, provando que os ricos fazem parte dos propósitos divinos.
Jesus não condenava o ganho financeiro, mas sim a relação doentia que se tinha com ele, e isso é visível até hoje, por isso, estava sempre reprovando o desapego emocional aos tesouros terrenos que pode se transformar numa idolatria monetária, cujo deus chama-se Mamom.
É interessante observar que, ao responder a Pedro, o empresário entre os discípulos, pois tinha barcos de pescas, sobre os ganhos financeiros de quem o seguisse, justamente por Jesus ter aconselhado um homem rico a doar tudo o que tinha, o Mestre disse: “E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna.” Marcos 10:29,30.
Há quem diga e quem defenda que os primeiros cristãos viviam num sistema de compartilhamento dos bens, onde vendiam suas propriedades e depositavam aos pés dos apóstolos, de modo a distribuir para que ninguém tivesse necessidade. Ao analisarmos esse comportamento à luz profética de que Jesus estava voltando e eles esperavam esta volta ainda em sua geração, tal comportamento não é só louvado como também aprovado, mas vale lembrar que no ano 70, o General Tito invadiu Jerusalém, desapropriou todos os judeus e assim começou a chamada diáspora, mediante disso chego à seguinte conclusão: o que você não consagra a Deus através do dízimo e compartilha com o seu próximo, o Diabo toma.
Não sou um defensor da teologia da prosperidade, ao contrário, condeno a avareza e o uso do evangelho para adquirir riquezas ilícitas, apenas me causa estranheza que o único discípulo com inclinações socialistas, cuja reivindicação de venda de um perfume para a justa distribuição entre os pobres (João 12:1-8), era o corrupto que roubava da tesouraria e traiu Jesus vendendo-o por trinta moedas de prata.
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Edney (Ed) Oliveira, pastor, contabilista, empresário, músico e escritor.