João Salvador
Se eu disser que, apesar da idade, ainda não tomei qualquer tipo de vacina vão chover críticas, mais ou menos, infundadas. Quando alguém disser que se eu contrair a Covid nessa etapa, talvez relapsa, não serei digno de receber o respaldo médico, como castigo, acho improvável, quando testemunho um juramento médico na solene formatura, o qual diz, sob a filosofia hipocratiana, que jamais um esculápio deixará de atender a um necessitado, seja por qualquer causa, pois o dever é sempre de curar, de minorar o sofrimento de seu semelhante.
Por outro lado, se eu disser que estou esperando que o rebanho – 70% – seja vacinado, à espera de quebrar a trajetória do vírus, vão me chamar de egoísta, de inconsequente, mas não critico aos que procuram pelas picadinhas, ditas salvacionistas, porém ainda experimentais, com poucos ensaios randomizados e de duplos-cegos.
Prefiro me resguardar e manter-me recluso, no anonimato, literalmente, a me manter sob as rígidas medidas sanitárias.
Ainda não sei bem o que um pedacinho do material genético desse vírus, injetado num adenovírus vetor, pode acarretar, futuramente, no meu organismo. Se vai prorrogar ou abreviar minha existência, nada sei e ninguém sabe.
Ao mesmo tempo, não tenho a mínima ideia se um RNA sintetizado, de forma geneticamente modificado, vai dar as instruções cabíveis ao meu organismo, para a produção de proteínas antivirais, a que vai ativar o sininho dos meus agentes de controle humoral e celular e agirem bravamente. Não sei ainda se um caldo de vírus inativados será apenas uma sopa inócua.
Os pobrezinhos de meus linfócitos agem em silêncio todos os dias, numa briga incessante para defender seu reduto, numa guerra, às vezes, desigual, em que o inimigo acaba roubando-lhes as armas, mas só sucumbe quando todas as chances são esgotadas.
Com essas drogas todas e forjadas, em pleno cartaz midiático e ideológico, provavelmente, ao tomar uma delas, o meu organismo pode se desgastar, se enfraquecer e ficar mais sujeito a ataques primários ou de reincidências.
Mesmo feitas às pressas, por medo e/ou desespero, as vacinas não podem oferecer riscos, devem oferecer segurança e eficácia comprovada, e, mais ainda, alguém deve recebê-las sem medo, sem se preocupar com seus possíveis efeitos a posteriori, advindos de uma neuropatia, doença autoimune e problemas cardiovasculares.
Cadê as pesquisas bem mais aprofundadas sobre uma doença que ainda provoca mortes dentro de um índice baixo e previsível, em relação a outras?
A ciência não admite pressão política, palpiteira e, nem tampouco demagógica, só dá o seu parecer após cumprir todas as etapas experimentais, que levam, no mínimo, cinco anos. Estamos ainda na terceira, diante de controvérsias.
Na verdade, quero resultados comprobatórios e estatísticos, a respeito da população de Serrana, que foi vacinada com a Coronavac e os de uma comunidade do Rio de Janeiro, vacinada com a AstraZenica.
Muitos dos que nem foram testados ainda, devem ter passado pela doença de forma assintomática. Apenas posso dizer que você está sendo testado para o bem de todos, quem sabe. Pode não concordar com o que eu disse, mas defenderei o seu direito de questionar.
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João Salvador, biólogo