O Mandato Coletivo A Cidade É Sua repudia veementemente a ação da Polícia Militar do estado de São Paulo e da Guarda Civil de Piracicaba, ocorrida na noite do dia 10 de julho de 2021 no bairro Monte Líbano, onde vitimou a líder comunitária Josy que perdeu o olho direito e consequentemente a visão, após ser atingida por balas de borracha quando saia da casa de uma amiga.
A violência das Forças de Segurança do Estado brasileiro, dadas as estatísticas e os constantes fatos e relatos, direciona a mira de seus armamentos sempre para a população pobre, preta e periférica, inclusive atingindo pessoas que sequer tem alguma relação com qualquer tipo de crime. Ainda que tivessem, não cabe à policiais militares e guardas civis violentarem, agredirem e até mesmo assassinarem quem quer que seja, pelo contrário, são profissionais formados e remunerados pelo Estado para proteger!
O Brasil tem um Judiciário cujo código penal prevê o direito constitucional de ampla defesa, julgamento público, imparcial e independente para todas as pessoas! Não cabe a absolutamente ninguém, violentar, agredir e até mesmo tirar a vida de outra pessoa! Agir de tal forma é crime e fere os Direitos Humanos!
Questionamos a ação tanto da Polícia Militar, quanto da Guarda Municipal de Piracicaba, cujo objetivo, alegam ser dispersar aglomerações, do porquê agiram de tal maneira, no bairro Monte Líbano, na Comunidade Portelinha, atirando contra o rosto de Josy, e na mesma noite, durante uma festa de 15 anos no bairro Nova Suíça, cerca de 200 pessoas foram dispersadas sem qualquer violação à integridade física de quem quer que seja, assim como devem ser as boas práticas e condutas das forças segurança pública?
Que critérios são estabelecidos pelos policiais e guardas para utilizarem armamentos e disparar contra a população em determinados locais e pessoas, e em outros não?
Porque as munições das forças de segurança brasileira, que atingem, machucam e até mesmo matam só estão destinadas à corpos pretos, pobres e periféricos?
Quem irá se responsabilizar, indenizar, tratar da saúde física, emocional, psicológica de Josy?
Até quando policiais militares e guardas civis continuarão a agir de forma violenta, sem que o Estado intervenha de fato para seja extinta a cultura preconceituosa, racista e classista nas práticas desses agentes de segurança pública?
Esperamos que a Secretaria de Segurança Pública, a Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo, a Guarda Civil de Piracicaba identifique os responsáveis por este crime contra Josy sejam devidamente punidos, conforme está previsto no Código Penal brasileiro.
Precisamos que o Estado proteja a população e não o contrário! (Mandato Coletivo A Cidade é Sua, Câmara Municipal de Piracicaba)