José Vicente Caixeta Filho
Karl Emil Maximilian Weber (1864 – 1920) foi um sociólogo, jurista e economista alemão. A política como vocação foi uma conferência proferida por ele a estudantes da Universidade de Munique em 1919.
Ele define o político que vive para a política como aquele com conduta que pode estar voltada para a busca de prestígio, honra, ideais, ou até mesmo do “poder pelo poder”, mas que não tomaria como prioridade a busca por recompensas financeiras em decorrência da profissão política, pois já disporia de recursos materiais suficientes.
A raiz dessa “vocação” estaria intimamente ligada ao tipo de dominação carismática. Os homens não obedecem ao líder carismático em virtude da tradição ou da lei, mas porque acreditam nele. Weber afirma que um dos desafios do político vocacionado é o de superar um inimigo bastante comum e demasiado humano: a vaidade vulgar.
O russo Liev Tolstói, também conhecido como Léon Tolstói, nascido em 1828 e falecido em 1910, poderia também nos dar algumas sugestões a partir de seu conto intitulado Três perguntas.
Um imperador promulgou um decreto para todo o seu império, anunciando que quem soubesse responder a três perguntas receberia uma grande recompensa.
- Qual é o melhor momento para se fazer cada coisa?
- Quais são as pessoas mais importantes com quem trabalhar?
- Qual é a coisa mais importante a ser feita?
Respondendo à primeira pergunta – qual o melhor momento? – alguém sugeriu ao imperador que fosse feito um planejamento completo, alocando-se todas as horas, dias, meses e anos a certas tarefas e rotinas previamente definidas e que isso fosse executado com o maior rigor possível.
Somente dessa forma o imperador poderia então fazer cada coisa no momento certo. Uma outra pessoa respondeu que era impossível se planejar tudo com a devida antecedência e que o imperador deveria deixar de lado todo e qualquer tipo de divertimento e permanecer atento a tudo, para então saber o que deveria ser feito nos momentos apropriados para tal. Uma terceira pessoa insistiu que o imperador jamais poderia, por si próprio, ter a previsão e competência necessárias para decidir quando fazer cada coisa e que o que ele realmente precisava era constituir um conselho de sábios e agir de acordo com o que lhe fosse determinado por tal conselho. Uma última pessoa disse que certos assuntos necessitavam de uma decisão imediata.
As respostas à segunda pergunta – quais as pessoas? – também divergiram muito entre si. Alguém disse que o imperador deveria depositar toda a sua confiança nos administradores; um outro recomendou que o imperador consultasse padres e monges; outros, ainda, os médicos e militares.
À terceira pergunta – qual a coisa mais importante? – foram dadas respostas igualmente variadas. Alguns afirmaram que a procura mais importante a fazer era a ciência, outros insistiram que era a religião e outros, ainda, a arte da guerra.
O imperador não ficou satisfeito com nenhuma das respostas e não atribuiu a ninguém a recompensa.
Depois de várias noites de reflexão, o soberano decidiu visitar um eremita que vivia na montanha e que era conhecido por ser um homem iluminado. Após diversas passagens, o eremita afirmou ao imperador que só existe um momento importante e esse momento é o agora. O presente é o único momento sobre o qual temos domínio. Que a pessoa mais importante é aquela que está à nossa frente. E que a coisa mais importante é fazer essa pessoa feliz.
Um imperador e um eremita que decididamente viviam para a política. Política que já desde aquela época era considerada uma bucha… Desafios hoje tanto para a administração pública quanto privada.
Como já cantou mais recentemente o poeta Pablo Milanés, “a História é um carro alegre, cheio de um povo contente, que atropela indiferente, todo aquele que a negue”.
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José Vicente Caixeta Filho, secretário municipal de Mobilidade Urbana, Trânsito e Transportes da Prefeitura do Município de Piracicaba