
Caso denunciado pela deputada Professora Bebel mulheres relatam ameaças, agressão e entrada sem autorização em residência para retirar camisetas de apoio a Lula
As duas militantes envolvidas no caso denunciado pela deputada estadual Professora Bebel (PT), em Piracicaba, registraram boletim de ocorrência na noite de quinta-feira (22). Em depoimentos à Polícia Civil, elas relataram ameaças, ofensas políticas, agressão física e entrada de policiais militares em uma residência sem autorização para retirar camisetas de apoio ao presidente Lula. Segundo as declarações, as peças foram entregues pelos agentes a três jovens detidos, que receberam ordem para vesti-las. “Com o registro desse BO, há instrumento legal para que seja feita uma investigação e punição de todos os envolvidos”, diz a deputada Professora Bebel.
O registro foi feito no plantão do 1º Distrito Policial de Piracicaba, com acompanhamento de advogados Jonas Parisotto e José Silvestre. O boletim relaciona ocorrências de ameaça, constrangimento ilegal e abuso de autoridade. As duas mulheres também afirmaram estar com medo de represálias e disseram que não dormem em suas casas desde o episódio, ocorrido na manhã de quarta-feira (21), na viela Vitória Pantanal, da Comunidade Pantanal.
Uma das militantes declarou que foi obrigada a sentar no chão e recebeu um chute na perna após policiais identificarem a camiseta de campanha que usava. Segundo seu depoimento, os agentes exigiram outras peças do mesmo modelo sob ameaça de prisão. Na sequência, policiais teriam entrado em sua residência sem consentimento e retirado duas camisetas. Ela também relatou ter sido obrigada a entregar a que vestia.
A segunda mulher confirmou em depoimento a retirada das peças e afirmou que os policiais também exigiram sua camiseta. Segundo ela, a peça não foi entregue porque estava apenas de sutiã por baixo. Ambas relataram que os agentes determinaram que os jovens abordados vestissem as camisetas e fizeram comentários sobre impedir votos em Lula no domingo.
Os depoimentos também descrevem ameaças para que as mulheres não denunciassem o ocorrido, incluindo referências à possibilidade de perderem os filhos para o Conselho Tutelar. Uma delas afirmou reconhecer, nos vídeos divulgados publicamente, policiais que participaram da abordagem. As declarações serão objeto de apuração pelas autoridades.
Bebel esteve na comunidade ainda na manhã do episódio e levou as denúncias à Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo. Na quinta-feira (22), o órgão informou à equipe da parlamentar que oficiou a Corregedoria da PM, solicitando informações sobre a ocorrência e o afastamento imediato dos policiais identificados do serviço operacional até a conclusão das apurações.
A Ouvidoria também pediu o encaminhamento dos relatórios de conclusão dos procedimentos instaurados. No documento, o órgão aponta possíveis violações de direitos fundamentais e defende uma investigação rápida e independente, com coleta de depoimentos, imagens e registros operacionais. A manifestação constitui um pedido de afastamento, sem confirmação de que a medida tenha sido executada.
“Os policiais não podem abusar do seu poder para intimidar militantes do nosso partido e fazer uso indevido de material retirado das nossas apoiadoras. É de uma violência política, ideológica por parte destes policiais, que terão que responder pela sua ação. O caso remete ao sequestro de Abílio Diniz, em 1989”, afirma Bebel.
Após a abordagem, imagens de um adolescente de 17 anos e dois homens detidos por suspeita de tráfico de drogas, algemados e usando camisetas idênticas de apoio a Lula, circularam nas redes sociais. A mãe do adolescente e um dos adultos também denunciaram que os agentes os obrigaram a trocar de roupa.
A coligação “Brasil Pronto pra Mais”, do presidente Lula, acionou o Tribunal Superior Eleitoral para pedir a retirada de publicações que utilizam as imagens para associar Lula ao crime organizado. Bebel cobra o esclarecimento dos fatos e a responsabilização dos envolvidos nas irregularidades que forem comprovadas.