João Ulysses Laudissi
Certa vez, durante uma reunião do Conselho de uma empresa, fiz uma apresentação que, até hoje, considero bastante significativa.
Dias antes, havia assistido a alguns documentários no YouTube sobre Winston Churchill (1874– 1965), político, estadista e primeiro-ministro britânico, e George S. Patton (1885–1945), general do Exército dos Estados Unidos e um dos mais conhecidos comandantes das forças blindadas americanas durante a Segunda Guerra Mundial.
Enquanto Churchill representava a liderança política e a capacidade de manter uma nação firme diante das adversidades, Patton era conhecido pela ação, pela velocidade e pela determinação no campo de batalha.
De forma bastante simples, podemos resumir as duas posturas assim:
Churchill: era preciso resistir e vencer.
Patton: era preciso avançar e derrotar o inimigo.
Churchill liderava uma nação. Patton comandava soldados no campo de batalha. Eram situações diferentes, mas havia entre os dois uma característica comum: a determinação de alcançar o objetivo.
Depois dessas breves considerações, que serviram de inspiração para minha fala, abri minhas anotações e comecei a falar:
O momento que estamos vivendo exige mais do que decisões tomadas apenas para resolver os problemas do dia a dia. Precisamos saber claramente onde queremos chegar e, principalmente, ter disposição para seguir esse caminho.
O cenário é desafiador, mas sabemos quais são os nossos principais problemas, conhecemos as oportunidades e já definimos algumas prioridades. Portanto, este não é mais o momento de ficar apenas discutindo o diagnóstico. É hora de colocar em prática aquilo que foi decidido.
Nossa estratégia deve estar apoiada em três pontos fundamentais: criar valor para a empresa, melhorar a maneira como trabalhamos e fortalecer a própria organização. Para isso, cada ação precisa ter um objetivo claro, alguém responsável por realizá-la e um prazo para sua conclusão. Não podemos desperdiçar recursos, tempo e energia com projetos que não contribuam para os objetivos da empresa.
A execução precisa receber a mesma atenção dada à definição da estratégia. É necessário acompanhar o que está sendo feito, verificar os resultados, corrigir os erros e, quando necessário, mudar o caminho. Uma decisão difícil, quando necessária, pode ser melhor do que uma decisão adiada indefinidamente.
Sabemos que haverá pressão, dificuldades e momentos em que será necessário fazer escolhas. Isso não significa fraqueza. Ao contrário, demonstra maturidade e responsabilidade. Precisamos avançar com prudência, mas sem perder o ritmo; ter controle, mas sem perder a ambição de crescer.
O papel do Conselho é fundamental nesse processo. Cabe a ele dar direção, preservar a estabilidade da empresa e apoiar as decisões que precisam ser tomadas. Quando Conselho e gestão trabalham na mesma direção, a organização ganha força para enfrentar as dificuldades e aproveitar as oportunidades.
Por isso, ao encerrar minha fala, deixo uma mensagem simples: uma empresa não se torna forte apenas porque possui uma boa estratégia. Ela se torna forte quando transforma essa estratégia em ações concretas, acompanha os resultados e tem coragem para corrigir o que não está funcionando.
Churchill nos ensina a importância de ter uma visão clara e a coragem para resistir nos momentos difíceis. Patton nos lembra que, depois de definir o objetivo, é preciso avançar e agir. No mundo empresarial, não basta saber o que deve ser feito. É preciso decidir, executar, acompanhar e corrigir. É dessa combinação entre estratégia e ação que nascem empresas capazes de superar dificuldades, aproveitar oportunidades e construir resultados duradouros. A estratégia aponta o caminho. A execução nos faz chegar lá. E é a união das duas que transforma uma decisão em resultado e um resultado em legado.
João Ulysses Laudissi, engenheiro