Registros do acervo audiovisual da Câmara resgatam, 25 anos depois, as manifestações feitas no plenário sobre os atentados que marcaram o início do Século 21
11 de Setembro de 2001. Céu azul, limpo, praticamente sem nuvens. Manhã quente de fim de verão na costa leste dos Estados Unidos. As pessoas seguem suas rotinas. Acordam, tomam café da manhã, vão para o trabalho. O Congresso, em Washington D.C., retoma suas sessões. Do outro lado da Avenida Pensilvânia, populares começam a formar fila para uma visita à Casa Branca. Também na capital, funcionários do Pentágono começam o expediente.
Em Nova York, milhares se dirigem às Torres Gêmeas do World Trade Center, para o que seria mais um dia corriqueiro de trabalho. O clima estava perfeito para voos. Nos aeroportos do país, passageiros embarcam em aeronaves comerciais, indo e voltando de reuniões de negócios e conferências, saindo de férias ou retornando para casa.
A maioria dos dias é marcada pelo repetir do cotidiano. Nada de significativo acontece. Nenhuma efeméride. Da mesma forma com os voos. É muito rara alguma intercorrência envolvendo aviões. Assim transcorria a manhã de 11 de setembro, no ano de 2001. Porém, antes de chegar a hora do almoço desse dia, a calmaria daria lugar ao caos.
No céu e no chão.
Quatro voos programados para aquela manhã mudariam a História:
– Voo 11 da American Airlines, com 11 tripulantes e 81 passageiros. Decolou do Aeroporto Internacional de Boston Logan às 07h59, com destino a Los Angeles.
– Voo 175 da United Airlines, com nove tripulantes e 56 passageiros. Decolou do Aeroporto Internacional de Boston Logan às 08h14, com destino a Los Angeles.
– Voo 77 da American Airlines, com seis tripulantes e 58 passageiros. Decolou do Aeroporto Internacional Washington Dulles, na Virgínia, às 08h20, com destino a Los Angeles.
– Voo 93 da United Airlines, com sete tripulantes e 37 passageiros. Decolou do Aeroporto Internacional de Newark às 08h42, com destino a São Francisco.
Todos tiveram suas rotas alteradas.
O Voo 11 da American Airlines desviou para Nova York e, às 8h46, colidiu fortemente contra a Torre Norte do World Trade Center, entre os andares 93 e 99. O Voo 175 da United Airlines também desviou para Nova York, onde, às 9h03, se chocou de forma violenta contra a Torre Sul do World Trade Center, entre os andares 77 e 85. O Voo 77 da American Airlines teve a rota desviada para Washington D.C., onde, às 9h37, colidiu com o Pentágono. O voo 93 da United Airlines foi desviado rumo a Washington D.C, mas a 20 minutos de lá chegar, caiu, às 10h03, numa área rural próxima à cidade de Shanksville, na Pensilvânia. Provavelmente os terroristas queriam chocar esse avião contra a Casa Branca ou o contra o Capitólio. Mas uma reação por parte dos passageiros fez com que os terroristas o derrubassem contra o descampado onde caiu de fato.
Infiltrados entre os passageiros, 19 sequestradores assumiram o controle dos aviões e, no intervalo de uma hora e dezessete minutos estava consumado um dos maiores ataques terroristas da História, idealizado por Khalid Sheikh Mohammed, integrante da organização pan-islamista Al-Qaeda, liderada, à época, por Osama bin Laden.
Contando somente as pessoas que estavam nos aviões e as do Pentágono, as vítimas já somam centenas. Em pouco menos de meia hora, o número passaria do milhar, com o colapso das duas torres. A Torre Sul foi a primeira a desabar, às 09h59. E, às 10h28, foi a vez da Torre Norte. Total de mortos: 2.996.
Qualquer pessoa que, à época, já tinha idade suficiente para ter consciência da realidade, lembram onde estavam e o que estavam fazendo na manhã de 11 de setembro.
No Brasil, a manhã foi interrompida de modo a se focar a atenção nas notícias que vinham pela televisão, pelo rádio e pelos incipientes portais da internet.
O plantão da Globo interrompeu a programação da emissora e noticiou que um avião havia se chocado contra uma das torres do World Trade Center, sem saber se se tratava de um acidente ou se o choque tinha sido proposital. Nos minutos seguintes, muitas pessoas, atraídas pela notícia, pararam o que estavam fazendo e começaram a prestar atenção na televisão. Enquanto assistiam, sem entender muito bem o que estava acontecendo, viram, ao vivo, o segundo avião colidir contra a segunda torre. Naquele instante ficou claro que não se tratava de um acidente, e sim de um atentado terrorista. Não se falava de outro assunto durante todo o dia daquela terça-feira. Nos dias seguintes, a mesma coisa. Jornais impressos, noticiários televisivos, sites, rádios. A programação era quase inteira voltada a cobrir os acontecimentos. Lares, escolas, ambientes de trabalho. A conversa girava em torno do tema. Na quarta-feira (12), pela manhã, a Folha de S. Paulo exibia a manchete “Guerra na América: EUA sofrem maior ataque da história”; o Estado de S. Paulo trazia em sua capa “Terrorismo declara guerra aos EUA”; e O Globo estampava: “Terror suicida para o mundo”.
REPERCUSSÃO NA CÂMARA – Em Piracicaba, na quinta-feira, 13 de setembro, pouco depois das 19h40, somente 58 horas depois dos atentados, se iniciava a 51ª Reunião Ordinária, onde o assunto foi amplamente abordado pelos vereadores. Nesta semana, exatos 25 anos depois, a série “Achados do Arquivo” resgata dos arquivos audiovisuais do Acervo da Câmara, a repercussão entre os parlamentares.
Após a leitura das matérias que deram entrada na sessão e no começo do Expediente, o vereador João Manoel dos Santos pediu questão de ordem, em que solicitou um minuto de silêncio, em respeito ao falecimento do então prefeito de Campinas, Toninho, assassinado, no dia 10 de setembro, e também à “forma covarde que foram ceifadas milhares de vidas nos Estados Unidos”. E disse: “Acho que esta Casa tem o dever de se manifestar, repudiando e solidarizando com as pessoas e famílias enlutadas”.
Após ser observado o minuto de silêncio, foi aberta a palavra aos vereadores. O primeiro a se manifestar foi Euclides Buzetto, que, após lamentar a morte de Toninho, abordou os ataques terroristas, se pronunciando da seguinte forma:
“Também indignado pelos últimos acontecimentos de terrorismo que aconteceram em Nova York e Washington, tenho aqui em mãos um pequeno artigo que talvez saia nos jornais de amanhã, e a pergunta inicial: ‘Selvageria, barbárie, insanidade ou desafio? Nada. Nada justifica o terrorismo. Vidas humanas, inocentes, usadas como escudos ou aríetes, assassinadas em confrontos ideológicos, políticos, econômicos ou sociais, clamam aos céus. Maculam, desmerecem e jogam por terra na vala comum dos crimes hediondos toda e qualquer ação de confrontos nacionais ou internacionais. É nesse contexto que nós devemos analisar os últimos acontecimentos ocorridos em Nova York e Washington, capitais do poder econômico e militar do mundo. Embora chocados e emocionados pelos lances terroristas cinematográficos que atingiram alguns ícones da maior potência política, militar e econômica do planeta, precisamos, nesse momento, refletir profunda e racionalmente sobre as relações indecentes que regem ou determinam a convivência conflitante entre os povos do nosso planeta. De um lado, os países abastados, especialmente o G8, composto por algumas nações que detêm o poder político e a riqueza mundial; e do outro lado, uma legião de nações famintas, miseráveis, humilhadas, desestruturadas e exploradas pelo colonialismo vil do passado e pelo não menos vil neoliberalismo atual. Relações seculares de exploração criminosa. Dominação, abuso de poder, intolerância, demonstrações de poder e prepotência, criaram infinitas desigualdades econômicas, políticas e sociais. Chagas abertas e dolorosas que comprometem o convívio entre os homens. Some-se a tudo isso o silêncio criminoso e proposital de grande parcela da humanidade privilegiada, diante do holocausto diário de milhões e milhões de crianças e jovens dizimados pela fome, pela doença, pela miséria, pelo desespero, pela desesperança, pelo abandono e pela solidão. Convenhamos, o desprezo do governo dos Estados Unidos em relação ao barril de pólvora em que se constituiu o Oriente Próximo e o Oriente Médio; seu desprezo em relação às propostas do Protocolo de Kyoto; seu despreparo e desprezo à Conferência Mundial Contra o Racismo e, sobretudo, sua arrogância na contramão do movimento mundial desarmamentista, ao defender e implementar o programa Guerra nas Estrelas, transformaram-se no maior e no mais cobiçado estopim à disposição de grupos terroristas alicerçados por extremistas ideológicos altamente explosivos. Rever posições, comportamentos, atitudes, deve ser, no momento, o caminho mais consequente que os governantes precisam trilhar. Preservar a paz, o convívio fraterno e sepultar o terrorismo requer diálogo, amor, compreensão, partilha, confiança, muita fé e muita esperança. Requer, sobretudo, muita paciência, coragem, determinação dos governantes, para mudar os rumos da política mundial, que determinam os rumos de uma nova ordem econômica, solidária, mais humana, mais fraterna. Dividir, somar, multiplicar são verbos imprescindíveis na convivência global e na consecução de uma paz duradoura que todos desejamos, fundamentada na igualdade de oportunidades, na justiça, na fraternidade e na solidariedade’. E nosso mais profundo sentimento também de compaixão e de solidariedade às vítimas inocentes dessa loucura que ocorreu.”
Na sequência, a vereadora Ivete Cipulla de Souza Madeira fez uso da palavra e assim se manifestou sobre os atentados:
“Eu quero também externar a minha indignação pelo acontecimento do 11 de setembro nos Estados Unidos. Que me pese a potência que são os Estados Unidos, o mandonismo deles sobre o mundo, a questão política e econômica, que confronta com todos os países ricos em domínio dos países pobres, nós não podemos deixar de ficar indignados com as mortes e com o acontecimento. Eu acho que esta Câmara, sim, tem que fazer uma moção de repúdio contra esses acontecimentos.”
Logo após, foi à tribuna o vereador João Manoel dos Santos e se pronunciou nos seguintes termos:
“Como já foi falado nessa tribuna, a forma covarde que na verdade assassinaram, tiraram a vida de milhares de pessoas nos Estados Unidos. E aí, eu não quero culpar o Bush. Porque é uma questão de sistema de governo, já vem de décadas. É lógico que eu não concordo com a forma castradora, opressora, dominadora, que as grandes superpotências dominam esse mundo. Dominam sem pensar nas crianças e nas pessoas que morrem de fome. Não podemos admitir isso, em nome da globalização você, na verdade, acabar com a vida de milhões e milhões de crianças, sem esperança e sem condições de sobreviver. Mas nós temos que repudiar e essa situação tem que ser combatida de outras formas, e não covardemente como foi e está sendo combatida, por pessoas, através de seu… em nome de Deus, às vezes né… Falando em nome de Deus, eu não sei qual é o Deus dessas pessoas. Mas também falando em nome de Deus, e destruindo. Aquilo foi uma coisa e eu comentava, infelizmente, eu comentava com o Martim, na segunda-feira à noite, a gente comentava, antes de entrar na sessão o que poderia acontecer com a retirada dos Estados Unidos, de Israel, da Conferência na África do Sul. Isso vai trazer sérias consequências para o mundo. Não temos a dimensão do que pode acontecer. Infelizmente, embora, não seja só essa questão. Você vê que existem inúmeras outras, que estão nesse ‘bolo’ aí, nesse contexto aí, de pessoas se manifestando contra essa política castradora dos Estados Unidos e do G8. Antes era G7, agora é G8. Essa questão de ser G8, 3 ou 4… O que não pode é alguém dominar… Um grupo tão pequeno desses dominar o mundo inteiro com uma política dessa natureza, de globalização neoliberal, que, na verdade, não pensa as consequências de ceifar vidas só em função de interesses de pequenos grupos.”
Por sua vez, o vereador Jorge Rodrigues Martins disse o seguinte:
“E também quero lamentar o fato, a catástrofe dos Estados Unidos. Realmente isso vai ficar na história, porque é realmente o início daquilo que o mundo, que nós, estamos prevendo daqui para a frente. E cada dia mais nós vamos ver coisas piores, que vão acontecendo, porque esse povo realmente não tem Deus no coração, não sabe o que é paz, o que é felicidade, não tem amor em Cristo. Mas infelizmente, só Deus que vai realmente nos salvar. Tenho fé em Deus que um dia Deus vai pôr a mão para que realmente a paz reine nesse mundo todo, porque infelizmente não há paz. E o Brasil, felizmente, nós temos esse privilégio de ser um país que tem, realmente, que preza Deus, que lê a Bíblia, tem Deus no coração. E, graças a Deus, nós temos aqui… O que falta realmente são políticos… Por isso que realmente venham a fazer leis para que possa dar mais, assim, uma consistência e mais segurança ao povo brasileiro. E acabar realmente uma lei que venha assim… esses marginais, estupradores, esse pessoal que faz realmente, que estão fazendo esse sequestro. Então, uma lei drástica realmente, para que esse pessoal, quando apanhado com isso tenham uma prisão perpétua. Porque não pode ‘prende hoje, solta amanhã’, e continuam fazendo asneiras. Então, o povo brasileiro precisa realmente… esses deputados que ponham a mão na consciência… que fica lá, por exemplo, só pensando… como agora, o caso, querendo ampliar a Amazônia para desmatar mais a Amazônia. Nós já temos problema de falta de água. O que é isso, falta de água? É falta de arborização. Então, destruíram as nossas matas. E creiam os senhores, cada vez pior. Dificilmente se recuperam as águas. E nós vamos passar, daqui pra frente, por problema com água, até, como o Zé Pedro disse, até pra beber nós vamos ter problema de água. Então, pedir a Deus que, realmente, que Deus tenha mais, assim, mais compaixão desse povo sofredor, que, realmente, é lastimável. Mas, nós podemos aqui, mais uma vez, pedir a Deus que Deus abençoe este Brasil, que abençoe nosso país, nossa comunidade toda, para que, se Deus quiser, para que o Brasil não sofra as consequências que talvez vão ser, por causa dessa retaliação. Hoje, a televisão estava dizendo que o próprio prefeito de Chuí está envolvido com a máfia, dessa de antes de ontem. E isso ele está desmentindo, dizendo que não é verdade, mas confirmando categoricamente, que o prefeito de Chuí está envolvido com o dono do petróleo. Ele poder ser dono do mundo, mas, se não tem Deus no coração, não adianta nada. Eu prefiro um pouco com Deus do que bastante sem Ele. Então, tomara que não aconteça, porque o próprio Brasil pode sofrer retaliação também, como vão sofrer lá o Oriente Médio, que está comprovado, praticamente, que a maioria, dos cinquenta lá, que estão levantando, são realmente os causadores dessa catástrofe, dessa matança de tanta gente inocente que perderam a vida. Infelizmente, essa é a verdade. Mas vamos pedir a Deus que nos conforte, que nos dê paz, saúde e felicidade.”
O próximo vereador a fazer uso da palavra e abordar o tema foi José Aparecido Longatto:
“Aquele incidente, ou acidente, lamentável, acontecido lá nos Estados Unidos, aquilo foi um atentado não contra só a nação americana, mas, sim, a todas as nações do mundo. Porque lá, naqueles dois prédios, tinha gente, seguramente, de todos os países do mundo. Agora é que vem o grande problema. Vai ter o troco, e nós já sabemos até em cima de quem vai ser o troco. Mas, todos nós temos certeza que, com essa retaliação, vai sobrar farpas, inclusive pra nós também, brasileiros, porque quem é que vai pagar a despesa? Os norte-americanos? Não. Tranquilamente, todos os países devedores dos americanos. Todos irão pagar a conta. Todos. Basta dizer o ‘pequeno’ empréstimo que o presidente Bush já solicitou ao Congresso: 20 trilhões, bilhões de dólares. Agora, pra nós aqui é trilhões. Isso é uma verba pequenininha. Só pra começar a retaliação. E nós iremos pagar a conta por causa de meia dúzia de idiotas, de uma guerra santa que, se eles morrerem como heróis, vão pro céu. Quer dizer, que diabo de educação é essa, né?”
Na sequência, o vereador José Otávio Machado Menten, ao fazer uso da palavra, tratou do assunto de forma breve:
“Gostaria também de ser solidário e externar a minha indignação por esses dois fatos que marcaram a todos nós. Esse assassinato covarde, que merece ser investigado, do prefeito de Campinas; e esse atentado bárbaro à humanidade ocorrido nos Estados Unidos. É importante que se investiguem e que se esclareçam essas ações, para que a gente possa sentir que vive num mundo mais justo.”
Logo após, José Pedro Leite da Silva foi o vereador a se pronunciar:
“Queremos reiterar os nossos votos de solidariedade aos Estados Unidos. Porque não são os Estados Unidos, praticamente é o mundo todo que sofre as questões relacionadas a esse terrorismo desenfreado que, consequentemente, vai indiretamente pesar na mesa do nosso trabalhador piracicabano. Porque consequências já estão ocorrendo…o dólar subindo…nós temos umas dependências econômicas…amanhã o reflexo no combustível, enfim, todos os fatores negativos ao trabalhador.”
O último a usar da tribuna no Expediente foi o vereador Moisés Bôscolo, que assim se manifestou:
“A violência nos alcançou de uma forma tão próxima nesta semana. Não só pela morte do prefeito de Campinas, que foi um fato bastante lamentável, como também pelo que nós vimos nos Estados Unidos. Uma tragédia sem proporções. Talvez o maior atentado… talvez não, certamente o maior atentado terrorista de toda a história da humanidade. Uma coisa que chocou. Eu acho que tudo isso, toda essa violência, toda essa situação, aponta para um mundo em desespero, um mundo sem esperança.”
Já na Ordem do Dia, o vereador Ademar do Carmo Luciano Junior, arguindo o art. 44, inciso III, solicitou o uso da palavra. Meses antes, Luciano Junior havia protocolado um Projeto de Lei que proibia o uso, na construção civil, de materiais constituídos de amianto. Em sua fala, então, o vereador inseriu o tema da periculosidade do amianto no contexto do desmoronamento das Torres Gêmeas:
“Eu recebi aqui, um e-mail, da Agência Estado, então agradeço, por saber que a gente gosta dessa matéria. Estamos aprofundando. Estivemos no Centro Cívico em uma Audiência Pública, aberta à população, e discutimos sobre esse assunto do asbesto, e também do amianto. Vou ler, bem rapidinho, pros senhores: ‘Poeira em Nova York está contaminada por amianto. Entre as consequências do desmoronamento do World Trade Center, em Nova York, na última terça-feira, pode estar o comprometimento da saúde de um grande contingente de sobreviventes e equipes de resgate da tragédia pela inalação de poeira de amianto. Mineral altamente cancerígeno, o amianto, ou asbesto, tem o potencial alto de contaminação pela poeira em suspensão, causando doenças como asbestose, ou câncer de pulmão, até trinta anos depois da exposição. Segundo anúncio publicado pelo Asbestos Corporation Limited, de Montreal, Asbestos Magazine, revista da indústria do amianto, no Canadá, as torres gigantes de Manhattan, aparecem como um símbolo do poder isolante da substância ao fogo. O anúncio foi mostrado hoje por Fernanda Gianassi, presidente da Rede-Virtual Cidadã pelo Banimento do Amianto na América Latina, durante o seminário ‘Poluição Industrial e Contaminação Humana no Brasil’, que acontece até amanhã, em São Paulo. Com o desmoronamento, porém, uma grande quantidade de amianto foi pelos ares, misturando, à enorme nuvem de fumaça que encobriu Nova York. Por ser muito fina, a poeira em suspensão de amianto leva várias semanas até se dispersar, por contaminar muita gente’. Então, vejam vocês, esse prédio, na realidade, como ele foi construído em meados de 1970. Então, lá nos Estados Unidos, não existia ainda proibição, uma lei que proibiu o amianto. Hoje, nos Estados Unidos, tanto o asbesto, o amianto, é proibido, com mais 21 países.”
Os atentados terroristas foram abordados de diversas formas pelos vereadores: desde os riscos do amianto no material disperso no ar após os desabamentos das torres, até as desigualdades entre as nações, o neoliberalismo, o uso da religião, as retaliações e seus possíveis efeitos no Brasil, a desestabilização econômica e a falta de esperança.
A sessão daquela quinta-feira, dia 13, foi apenas dois dias depois dos acontecimentos. As consequências que viriam a ocorrer no cenário mundial, em variados aspectos, nem tinham se iniciado. Elas passariam a ser sentidas gradualmente com o tempo.
Dias após o 11 de Setembro, o governo dos Estados Unidos deu início à campanha militar chamada “Guerra ao Terror”. Menos de um mês depois, em 7 de outubro de 2001, invadiu o Afeganistão com o objetivo de capturar Bin Laden e outros líderes da Al-Qaeda, bem como remover do poder o regime Talibã, que dava apoio a Bin Laden.
Em 26 de outubro de 2001 o presidente George W. Bush institui o USA Patriot Act, norma que permitia, entre outras medidas, que órgãos de segurança e de inteligência do país interceptassem ligações telefônicas e e-mails de organizações e pessoas supostamente envolvidas com o terrorismo, sem necessidade de autorização judicial.
Em 2003, no dia 20 de março, uma coalizão militar liderada pelos Estados Unidos invadiu o Iraque, alegando que o país possuía armas de destruição em massa e que representava uma ameaça para os Estados Unidos e seus aliados. Os norte-americanos acusavam o líder iraquiano Saddam Hussein de dar abrigo e apoio a Al-Qaeda.
Em 2 de maio de 2011 Osama bin Laden foi baleado e morto por uma unidade de operações especiais das forças armadas norte-americanas, em Abbottabad, no Paquistão.
As tropas militares dos Estados Unidos permaneceram no Afeganistão por quase 20 anos, desde a invasão, em 7 de outubro de 2001, até 30 de agosto de 2021.
Na aviação, as consequências foram sentidas no dia-a-dia dos passageiros, com alterações nas regras de segurança: as cabines dos pilotos passaram a ter portas reforçadas e blindadas; foram adotadas inspeções de raio-X para bagagens de mão, bem como o uso de pórticos de detecção de metais; foram proibidos o porte de objetos cortantes e o transporte de líquidos em embalagens acima de 100ml; e, durante a triagem, passageiros ficaram obrigados a tirar cintos e sapatos, além de retirar eletrônicos das malas.
Nos dias que se seguiram ao 11 de Setembro, a tensão era palpável. Não se sabia o que poderia acontecer. Se viriam mais ataques. Se viessem, quais países poderiam ser atingidos. Qual a escala das retaliações. Como essas retaliações poderiam afetar, de forma direta ou indireta, o cotidiano das pessoas. Com o passar do tempo, essa tensão foi se dissipando e dando lugar a análises conjunturais do agora turbulento novo cenário geopolítico internacional.
Também surgiu, ou cresceu, o preconceito contra o islamismo, ignorando que essa religião tem a paz como fundamento e que alguns poucos a utilizam para, em seu nome, cometerem os mais diversos crimes.
Há uma expressão que diz que “os anos 1960 começaram com um tiro”, em alusão ao assassinato de John Kennedy, embora tenha sido baleado em 1963, não necessariamente no comecinho da década. A simbologia ficou como espécie de ato inaugural de muitas das mudanças que iriam acontecer nos anos seguintes e que definiriam a época. Nesse mesmo sentido, pode-se dizer que o século 21 começou com a queda de duas torres.
Achados do Arquivo — A série “Achados do Arquivo” é uma parceria entre o Setor de Gestão de Documentação e Arquivo, ligado ao Departamento Administrativo, e o Departamento de Comunicação Social da Câmara Municipal de Piracicaba, com o objetivo de divulgar o acervo que está sob a guarda do Legislativo. As matérias são publicadas às sextas-feiras.