Dr. Sérgio Pacheco
Com a proximidade do Dia dos Pais, me peguei pensando sobre o que um pai deixa aos seus filhos. Um nome? Uma profissão? Um patrimônio? Tudo isso pode fazer parte. Mas acredito que a maior herança está no exemplo, principalmente na maneira como tratamos quem não tem nada para nos oferecer em troca.
Eu venho de uma família de médicos. Meu avô, Dr. Aninoel Dias Pacheco, dedicou boa parte da sua trajetória aos trabalhadores do Engenho Central. Meu pai, Dr. Sérgio Pacheco, também fez da medicina e do serviço público uma missão. Cresci cercado por pessoas que entendiam que cuidar não era simplesmente exercer uma profissão. Era uma responsabilidade diante da dor do outro.
Meu pai me contou uma lembrança que resume bem essa história.
Na inauguração da passarela que hoje leva o nome do meu avô e liga a Rua do Porto ao Engenho Central, um antigo trabalhador se aproximou da nossa família. Ele queria agradecer por algo que havia acontecido muitos anos antes.
Sua esposa estava doente e eles não tinham condições de pagar pelo atendimento. Meu avô cuidou dela sem fazer qualquer pergunta sobre dinheiro. Quando percebeu que aquele homem também não teria como comprar os remédios, ainda colocou algum dinheiro em suas mãos para que ele pudesse levar o tratamento para casa.
Não havia fotografia, homenagem ou placa naquele gesto. Havia somente um médico diante de uma família que precisava de ajuda.
O nome do meu avô está em uma ponte. Mas, antes daquela passarela existir, ele já havia construído muitas outras. Pontes entre a dor e o alívio, entre o medo e a esperança, entre quem precisava de ajuda e alguém disposto a cuidar.
Foi esse exemplo que chegou ao meu pai.
Cresci vendo nele um médico respeitado, mas também um homem que nunca mediu as pessoas pelo que elas tinham. Como cardiologista e homem público, ele me ensinou que conhecimento só tem valor quando é colocado a serviço de alguém.
Foi também esse exemplo que me levou à medicina.
Nos hospitais e nas UTIs, aprendi que cada paciente carrega uma família, uma história e muitos sonhos. Aprendi que a técnica é indispensável, mas o cuidado também está na escuta, no respeito e na presença. E aprendi algo que carrego comigo todos os dias: quando não dá para curar, ainda dá para cuidar.
Hoje sou pai de quatro filhos. E isso me faz pensar sobre qual herança estou construindo para eles.
Não quero deixar somente um sobrenome ou uma trajetória profissional. Quero que meus filhos entendam que ninguém é grande demais para não servir, nem pequeno demais para não ser ouvido. Quero que saibam que preparo e autoridade só fazem sentido quando ajudam a melhorar a vida das pessoas.
Foi assim que compreendi a política. Como outra maneira de cuidar. Uma forma de fazer com que o conhecimento adquirido na medicina e na gestão chegue a mais famílias, fortaleça os serviços públicos e ajude Piracicaba a conquistar o espaço que merece.
Quando digo que estou preparado para cuidar de Piracicaba em Brasília, essa vontade não nasceu agora. Ela atravessa gerações. Começou com meu avô, continuou com meu pai e orientou toda a minha caminhada.
Neste Dia dos Pais, abraço meu pai com gratidão. Recordo meu avô com orgulho. E olho para os meus filhos com a responsabilidade de manter viva essa herança.
Porque um pai não deixa somente aquilo que conquistou. Deixa, principalmente, a maneira como escolheu viver e cuidar das pessoas.
Dr. Sérgio Pacheco, médico, pré-candidato a deputado federal pelo Uniao