Celso Gagliardo
Outro dia, na roda de café, comentamos sobre as aplicações da Inteligência Artificial nas mais variadas áreas das ciências e do comportamento humano. Basta um mínimo de conhecimento e contato com essa ferramenta moderna para ser impactado por suas infinitas possibilidades.
Quanto maior a idade, maior a estupefação. Nós, maduros, viemos de um tempo de limitações do conhecimento e bem sabemos das vicissitudes do passado. Fico pensando como as comunicações escritas fluem hoje com o mundo digital, em comparação com o passado de tipografia, composição manual, letra a letra no componedor, para nele formar o tamanho certo da linha.
Nossa geração sofreu o impacto das mudanças em velocidade cada vez maior. Telex, telégrafo, telefax, numa breve ilustração, mostram o grau de obsolescência que nos atingiu. Até o telefone – linha fixa, valiosa invenção – está saindo de cena.
Imagino que os jovens não estranham tantas mudanças, afinal nasceram sob essa influência. O homem cria processos e produtos que o impulsionam ao desenvolvimento, mas não consegue fazer-nos seres mais fraternos, solidários e pacíficos.
A novidade de momento é a Inteligência Artificial, resultante do avanço dos computadores potentes e algoritmos modernos. Estamos diante de novas possibilidades. Tomara possamos ter ganhos na Saúde, sobretudo, com novos desenvolvimentos na Medicina para curar doenças terríveis que amedrontam, ou minorar os sofrimentos de tantos que vivem isolados em suas camas ou nas frias macas dos hospitais. Penso muito nisso.
Evidente que existe, e deve aumentar, o uso indevido da I.A. Utilizam nossas vozes e imagens para nos imputar inverdades, distorcer fatos, criar falsidades, propagar preconceitos e fraudes cibernéticas. A tecnologia até tenta barrar, mas não consegue filtrar o que é do diabo do que é divino.
A ética é determinante até para a fidelidade autoral. Submeto alguns dos meus textos à I.A., que repara vícios – como repetir palavras próximas, por exemplo – e, nalgumas vezes, melhora tanto que eu não aprovo. Não posso assumir o que foi modificado.
Cada um tem sua escala de valores para julgar o certo e o errado. Muitos irão atropelar, e o homem – que cria ferramentas que facilitam também as trapaças – deverá ter mecanismos para identificar os desvios e a regulamentação para as punições.
Tudo se ajusta. O poeta Fernando Pessoa já disse, no livro Mensagem, de 1934, que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. A Inteligência Artificial amplia nossa capacidade de respostas, e contribui para a produtividade.
A I.A. somente não pode se tornar “mais inteligente” do que aquele que a criou. Aliás, é preciso dizer que a IA também erra, por solicitação ambígua ou por basear-se em fontes não confiáveis. Afinal, ela não cria do nada: junta e processa informações de forma espantosa. Mas exige sempre a conferência prudente e uma análise crítica. Do homem…!
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Celso Gagliardo, profissional de Recursos Humanos e Gestão e jornalista