Cerest – SindBan integra ação em memória das vítimas de acidentes de trabalho

Paiva, presidente do SindBan, tem atuado para mitigar as doenças mentais e suas consequências. CRÉDITO: Divulgação

Na manhã de terça-feira, 28 de abril — Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho — a Escola de Engenharia de Piracicaba (EEP) sediou um encontro promovido pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Piracicaba (Cerest). Entre os participantes estiveram o presidente do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região, José Antonio Fernandes Paiva, o diretor financeiro João Possebon Neto e os assessores Gabrieli Menegati, Diego Barbosa e Ivanise  Pachane Milanez, ações do Abril Verde.

O destaque do evento foi a apresentação de dados atualizados sobre acidentes de trabalho no município. Apenas em 2025, já foram registrados 8.429 acidentes de trabalho, número que reforça a gravidade do cenário e a urgência de medidas preventivas.

Os dados mostram predominância de acidentes entre homens (71,5%), enquanto as mulheres representam cerca de 30% das ocorrências. A faixa etária mais atingida está entre 30 e 39 anos (26%), seguida por trabalhadores de 40 a 49 anos (22,13%). Um dos pontos de maior alerta é o crescimento entre jovens de 18 a 24 anos, com aumento de 224 para 299 registros. Também foram contabilizados cinco casos envolvendo adolescentes de 14 a 17 anos.

O cenário também dialoga com a crescente demanda por perícias médicas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), evidenciando o peso dos benefícios por incapacidade. Embora nem todos os dados regionais estejam consolidados, o volume de solicitações na região de Piracicaba reforça a importância desse mecanismo de proteção.

A Previdência Social, que completa 103 anos em 2026, é parte central dessa rede de proteção. Entre os principais benefícios, destacam-se o auxílio por incapacidade temporária — concedido após 15 dias de afastamento — e a aposentadoria por incapacidade permanente. Nos casos de acidente de trabalho, não há exigência de carência mínima, garantindo cobertura imediata ao trabalhador.

Os números também evidenciam diferenças importantes: enquanto benefícios comuns exigem ao menos 12 contribuições, os acidentários dispensam esse requisito e asseguram estabilidade no emprego por até 12 meses após o retorno. Há ainda o auxílio-acidente, pago em casos de sequelas permanentes.

No campo normativo, a atualização da NR-1, com vigência prevista para 26 de maio, amplia o foco na prevenção ao incorporar riscos psicossociais. A mudança ocorre em um contexto de crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil, que chegaram a cerca de 432 mil entre 2023 e 2024 — alta de 68%.

A ação também pautou o debate sobre o tema “Acidente de Trabalho: Prevenção e Cuidado Coletivo”, destacando a importância de superar a visão que atribui o acidente apenas ao erro individual. A discussão enfatizou fatores organizacionais e psicossociais, os impactos emocionais dos acidentes e o papel da psicologia no cuidado pós-ocorrência, incluindo a adoção de primeiros socorros emocionais nos planos de emergência.

No Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho (28 de abril), o presidente do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e região, José Antonio Fernandes Paiva, destacou a participação da entidade em ações voltadas à saúde e segurança dos trabalhadores e aponta que, durante evento realizado pelo Cerest, foi apresentado um dado alarmante: Piracicaba registra, em média, um acidente de trabalho em média a cada hora.

 

 

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