Bullying – Como saber se é? (II)

Freud (1927) já havia apontado o conflito entre o homem e a civilização como condição da vida humana. Se o bullying é uma situação de conflito, como saber se é ou não bullying? Em todo bullying há conflito, mas nem todo conflito denota bullying.

Discussões que buscam equacionar soluções jamais podem ser consideradas bullying que visa medir forças através do confronto. Para a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Dra. Telma Vinha, devem existir quatro itens no bullying:

  1. a) a intenção do autor de ferir seu alvo;
  2. b) a repetição da agressão física, moral ou psicológica;
  3. c) a existência de plateia para a vaidade do opressor;
  4. d) concordância da vítima ao responder a ofensa.

Importante salientar o último item como definitivo na caracterização do bullying, pois é o único que implica a vítima. Quando esta não é cúmplice ele fica sem efeito e deixa de ter eficácia. Por outro lado, a pessoa pode chegar ao suicídio, o que dependerá da capacidade de resiliência da vítima.

Ao contrário do que se possa pensar, o bullying sempre existiu. No entanto foi o professor da Universidade da Noruega Dan Olweus que no final dos anos 70 relacionou o termo. Ao estudar as tendências suicidas entre adolescentes ele descobriu que o fenômeno estava presente na maioria deles.

“O homem se distingue dos outros animais por ser o único que maltrata sua fêmea”. (Jack London, escritor norte-americano)

Minha filha P. (19) há dois anos namora um rapaz de 37. Com o tempo soubemos que ele usava maconha (diz que parou a pedido dela). Ciumento de dar show facilmente se entrega à bebida, é dependente dos pais, mente muito. Mesmo tendo cursado boa faculdade não conseguiu se estabelecer. Leva e a busca na faculdade, mas sempre liga desconfiado. Após uma briga dos dois, numa de suas ligações ouvi-o dizer ‘fala para ele dormir’ (era bem cedo). Ligou ao meu marido e disse ‘quem você pensa que é?’ e ele respondeu ‘que negócio é esse?’ Desafiou-o para uma briga na esquina onde minha filha estuda.

Elis.

Sua queixa me soou mais como um desabafo que uma demanda de um profissional. Os rumos que esse namoro tomou exigem uma ação legal, não psicológica. Um B.O., uma conversa franca com sua filha.

Mas ele ser um dependente químico (e duvido que tenha parado) é o mais grave no que concerne ao namoro e seus desdobramentos que já atingiram a família.

O perfil do dependente químico é de pessoa instável, insegura e manipuladora. É uma doença incurável. Muitas vezes, como descrito, depende de outras pessoas mais emocional que financeiramente.

O uso e abuso de drogas colaboram para desenvolverem a arte da manipulação através de mentiras e chantagens emocionais. Aprendeu como burlar a lei, usando artifícios sem muitos escrúpulos. O desafio ao seu marido indica que sinais foram dados e não foram bem entendidos por vocês.

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