
A deputada estadual Professora Bebel diz que a saúde mental dos professores está no limite e mostra que não é por acaso
A primeira presidenta da Apeoesp, a deputada estadual Professora Bebel (PT) diz que a saúde mental dos professores da rede estadual de ensino está no limite e mostra que não é por acaso. Para ela, são efeitos da sobrecarga, baixos salários, falta de estrutura, pressão constante e desvalorização, situações que fazem parte do dia a dia de quem dedica a vida a educar na rede estadual de ensino: “O resultado é uma crise silenciosa que cresce a cada ano e impacta não só os profissionais, mas toda a qualidade da educação pública”, escreveu em suas redes sociais.
Na publicação, ainda, a deputada e presidenta da Apeoesp deixa claro que ninguém adoece sozinho e que ansiedade, depressão, estresse e burnout têm causas concretas e precisam ser enfrentadas com responsabilidade, investimento e valorização real da educação. “Cuidar de quem ensina é cuidar do futuro”, enfatiza.
Na rede estadual de ensino, Bebel diz que o adoecimento de professores virou uma crise sem precedentes e já pode ser considerada uma epidemia silenciosa, citando em números que entre janeiro e setembro do ano passado, foram registradas 25.699 licenças médicas por transtornos mentais e comportamentais, com um total de 95 afastamentos por dia. Para mostrar que o problema não é recente, os números do ano anterior, 2024, mostram 42.155 licenças ligadas à saúde mental de professores na rede estadual de ensino. Porém, a presidenta da Apeoesp destaca que ao invés de fazer acolhimento, a Secretaria Estadual da Educação estabelece novas regras na atribuição, com presença em sala de aula valendo 20% e avaliação desempenho 30% na classificação dos professores. “O professor adoece e o sistema segue cobrando assiduidade, metas e performance, como se o problema estivesse no profissional e não nas condições em que o professor trabalha”, destaca.
A Professora Bebel reconhece que há atendimento psicológico e psiquiátrico on-line para mais de 253 mil servidores da educação, “mas nenhum suporte pontual resolve sozinho, uma rede que continua produzindo adoecimento em escala. É preciso mais psicólogos, mais assistentes sociais, mediação de conflitos, combate à violência, condições dignas de trabalho”, cobra. Para ela, certamente, quando o professor é protegido a educação pública melhora. Para isso, recomenda menos sobrecarga, menos burocracia, mais autonomia e mais apoio institucional. “É isso que melhora o ambiente escolar e protege quem ensina, enfim, não existe educação de qualidade com professores adoecidos. Professor assistidos, valorizados e bem cuidado não é privilégio, é condição básica para uma escola pública de qualidade. Tenho a certeza de que cuidar da saúde de quem ensina é defender o direito de aprender com dignidade”, completa.