Capiau

RAMUTH I

Para continuar firme e forte na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o vice-governador Felício Ramuth resolveu fazer aquela clássica mudança estratégica de guarda roupa político: saiu do PSD e vestiu, sem cerimônia, o figurino do MDB.

 

RAMUTH II

A troca de legenda não foi por acaso, foi praticamente um check list eleitoral: item um, mudar de partido; item dois, garantir o lugar de vice; item três, seguir no jogo sem precisar pedir VAR. E como toda boa articulação política, não faltaram padrinhos de peso no batizado partidário. A operação foi conduzida pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, com bênção especial do ex presidente Michel Temer, apoio do deputado estadual Rodrigo Arena e até aquele empurrãozinho do prefeito da capital, Ricardo Nunes.

 

RAMUTH III

No fim das contas, foi menos uma troca de partido e mais uma coreografia bem ensaiada, porque na política mudar de sigla às vezes é só o jeito mais elegante de continuar exatamente no mesmo lugar. Enquanto isso, o MDB estadual dá uma verdadeira aula de unidade, coisa de time que entra em campo já sabendo o resultado do jogo. Já o MDB de Piracicaba parece mais um reality show político, com direito a episódios de tensão, reviravoltas e aquele clássico “cada um por si e todos contra todos”. Se um está ensaiando balé, o outro claramente ainda está decidindo a trilha sonora.

 

ALERTA – I

A pré corrida eleitoral já começou com cara de série nova, e Renan Santos (Missão) resolveu entrar no elenco principal sem pedir licença, bagunçando o roteiro da direita e deixando muita gente revendo estratégia no meio da gravação. O líder do MBL cresceu justamente naquele espaço onde o eleitor olha para Flávio Bolsonaro (PL) e pensa “humm, não era bem isso que eu pedi”. De quebra, ainda foi pescar voto entre os jovens, aquele público que costuma decidir eleição e também trend no mesmo dia.

 

ALERTA – II

Segundo a AtlasIntel, Renan Santos já aparece em terceiro lugar em vários cenários, passando gente grande como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), o que, convenhamos, não estava exatamente no bingo político de ninguém no começo do ano.

 

ALERTA – III

O destaque mesmo é entre os jovens de 16 a 24 anos, onde ele subiu quase nove pontos em um mês, mostrando que enquanto uns ainda discutem no WhatsApp, ele já está dominando o TikTok e o algoritmo como se fosse ministério. No QG de Flávio Bolsonaro o clima já não é mais de tranquilidade, é mais aquele ambiente de reunião onde todo mundo fala “está tudo sob controle” enquanto alguém procura desesperadamente o controle.

 

ALERTA – IV

A situação azedou de vez quando Renan Santos resolveu transformar vídeos do senador dançando em conteúdo viral, chamando o desempenho de “bonecão do posto”. Resultado, quase um milhão de visualizações e alguns estrategistas repensando se dança em palanque entra ou não no plano de governo.

 

ALERTA – V

Para conter o avanço, aliados avaliam a famosa estratégia do “divide que talvez dê certo”, mantendo mais candidatos na direita. A ideia é simples, se todo mundo for candidato, ninguém cresce demais. Nesse pacote entra a torcida para que Romeu Zema siga solo, funcionando como um “freio de mão eleitoral” no crescimento de Renan.

 

ALERTA – VI

Também vem aí o contra-ataque digital, com a tentativa de relembrar o estilo mais direto e às vezes explosivo do MBL, método que ficou conhecido com Arthur do Val, aquele que transformava abordagem de rua em conteúdo político e entretenimento ao mesmo tempo.

 

ALERTA – VII

Enquanto isso, do outro lado do tabuleiro, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) observa tudo com aquela calma de quem assiste briga de condomínio sabendo que não é no seu andar, mas já deixando a pipoca pronta. E Renan Santos, claro, não perdeu a chance de provocar, basicamente dizendo que quem já percebeu certas coisas vai naturalmente migrar de lado, o que em tradução livre da política significa “se gostou do trailer, vem ver o filme completo”.

 

APOIO – I

O ex-governador Rodrigo Garcia resolveu sair do modo “independente” e assinou contrato com o Republicanos, entrando de vez no elenco da campanha de reeleição de Tarcísio de Freitas. Depois de um período sem partido desde a saída do PSDB, Rodrigo basicamente fez aquele retorno clássico ao jogo político, tipo jogador experiente que estava no banco, mas volta direto como titular e ainda com braçadeira de capitão.

 

APOIO – II

Agora, ele assume um papel estratégico na campanha, como coordenador do plano de governo, o que na prática significa ser o responsável por organizar as ideias, dar forma ao discurso e garantir que tudo faça sentido, ou pelo menos que pareça muito bem ensaiado. Nos bastidores, a leitura é simples: enquanto Tarcísio cuida do palco, Rodrigo ajuda a escrever o roteiro, revisar o texto e, se precisar, ainda dá aquela soprada discreta quando alguém esquece a fala.

 

CAIADO – I

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi escolhido pelo PSD como pré-candidato ao Palácio do Planalto, e, ao que tudo indica, dessa vez não foi só conversa de bastidor, foi anúncio com carimbo e firma reconhecida. Quem deu o recado foi o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, que praticamente disse “é ele mesmo” e colocou o nome de Caiado na vitrine eleitoral. Mas Kassab pode ver as nuvens, ainda.

 

CAIADO – II

Com isso, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, acabou ficando no banco de reservas, aguardando uma próxima partida no calendário político, porque eleição, como se sabe, sempre tem segundo tempo. Enquanto isso, no Paraná, o governador Ratinho Junior não perdeu tempo e já levantou a placa de apoio para Caiado, entrando no jogo antes mesmo do apito inicial. No fim das contas, o PSD parece ter definido seu protagonista, enquanto os coadjuvantes ainda tentam entender se a cena já começou ou se ainda estão nos ensaios.

 

TERCEIRA VIA – I

Esse idoso e cansado Capiau, que já viu de tudo na política, de promessa que evapora mais rápido que café em comício até aliança que dura menos que namoro em época de eleição, olha para tal da terceira via e só consegue enxergar um paciente respirando por aparelhos, com diagnóstico delicado e a família já discutindo o testamento.

 

TERCEIRA VIA – II

Aí vem o pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, e solta que, se chegar à Presidência da República, o primeiro ato vai ser uma anistia geral, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Pronto, nesse exato momento a terceira via, que já estava na maca, pede transferência direta para a UTI com direito a sirene e tudo. Que fique com a anistia.

 

TERCEIRA VIA – III

Porque, convenhamos, terceira via que começa prometendo resolver o passado de um lado específico não é terceira via coisa nenhuma, é só a velha estrada com outro nome na placa e os mesmos buracos de sempre. Caiado, que podia tentar vender novidade, acabou entregando reprise. No fim das contas, esse idoso e cansado Capiau coça a cabeça, dá aquela risada meio desacreditada e conclui que, no Brasil, até quando tentam inventar o novo, dão um jeitinho de ressuscitar o velho. E a tal da terceira via, coitada, segue internada, com visita liberada, mas sem previsão de alta.

 

VICE

Pode se dizer, sem medo, que não se troca o vice quando é bom. Caso específico do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), que governou São Paulo por 14 anos. O presidente da República, Luiz Inacio Lula da Silva (PT), manteve Alckmin como seu companheiro de chapa, o que é aprovado pelos companheiros de toda Federação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima