
Evento do Coletivo Contaê celebra o Dia Internacional do Contador de Histórias e reforça reconhecimento oficial da atividade em Piracicaba
O Sarau de Histórias do Coletivo Contaê realiza o evento Celebrando Quem Conta, hoje, 20, às 19h30, no Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes, em Piracicaba. Com entrada gratuita, o encontro reúne contadores de histórias da cidade em uma noite dedicada à valorização da narrativa oral e à celebração do Dia Internacional do Contador de Histórias.
A iniciativa é coordenada pelo contador de histórias e escritor Evair Sousa, que encontrou na arte de narrar um caminho de transformação pessoal e coletiva. Ele relembra que o primeiro contato com a contação aconteceu em 2008, durante o Sarau Literário Piracicabano. “Naquele momento, percebi que contar histórias era muito mais do que falar. Era criar pontes entre pessoas, despertar emoções e preservar memórias. Desde então, essa arte passou a fazer parte da minha vida de forma profunda”, afirma.
Segundo Evair, a criação do Coletivo Contaê, no ano passado, nasceu do desejo de fortalecer a comunidade de narradores e ampliar os espaços para essa expressão cultural. “O coletivo é um espaço de encontro, troca e pertencimento. Queremos que os contadores se sintam reconhecidos e que o público perceba a força que uma história tem de transformar o olhar sobre o mundo. Cada narrativa é um gesto de resistência cultural e de cuidado com a memória”.
Evair lembra que o objetivo do coletivo é homenagear quem dedica sua voz e sua presença a essa arte tão necessária. Para ele, contar histórias é plantar sementes invisíveis que florescem na imaginação das pessoas, especialmente das crianças.
Entre os participantes está a escritora e contadora Daniela Giardino, que ressalta o papel afetivo e educativo da narrativa oral. “Contar histórias é um encontro humano. É quando o tempo desacelera e as pessoas se permitem sentir, imaginar e se reconhecer nas palavras. Cada apresentação é única, porque nasce da conexão entre quem conta e quem escuta”.
Daniela também destaca a importância do coletivo como espaço de crescimento conjunto. “Integrar o coletivo Contaê é uma oportunidade de aprender e crescer, acompanhando o trabalho de tantos colegas dedicados a essa arte por amor. Porque, na vida, caminhar em grupo nos enriquece. É na troca, na escuta e na partilha que ampliamos o nosso olhar. Sozinhos, até podemos acreditar que vamos mais rápido, mas não é verdade, juntos crescemos muito mais”.
Para ela, o reconhecimento institucional da data também tem um significado especial. “A inclusão dessa data é muito importante. É como se a cidade dissesse, de forma clara, que a contação de histórias importa e que ela é muito mais do que entretenimento”.
A contadora reforça ainda o impacto emocional da narrativa. “A contação é um lugar de afeto. Porque, quando a gente escuta uma história, a gente também se escuta. E, às vezes, é ali, no meio de uma narrativa, que a gente encontra palavras para aquilo que ainda não sabia nomear. É por isso que eu acredito nas histórias como um caminho de afeto e de desenvolvimento emocional. Porque histórias não mudam só o que a gente pensa. Elas tocam o que a gente sente”.
O sarau promete ser um espaço de partilha, no qual histórias e vivências se entrelaçam, fortalecendo vínculos culturais e sociais. De acordo com Evair, a contação de histórias tem impacto direto no desenvolvimento infantil e na formação emocional. “A história é uma ferramenta poderosa de educação sensível. Ela ajuda a criança a compreender sentimentos, amplia a criatividade e fortalece a empatia. É uma forma de aprendizado que toca o coração”.
Além do aspecto artístico, a atividade também vem conquistando reconhecimento institucional no município. A Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei nº 2/2026, de autoria da vereadora Silvia Maria Morales, que institui o Dia Municipal das Contadoras e dos Contadores de História, a ser celebrado em 20 de março e incluído no calendário oficial de eventos da cidade a partir de 2027.
A justificativa do projeto destaca que a contação de histórias é uma manifestação cultural, educativa e artística que ocupa papel essencial na formação da identidade e na preservação da memória coletiva. O texto ressalta que, em Piracicaba, os contadores atuam em escolas, bibliotecas, centros culturais e projetos comunitários, contribuindo para o letramento, a inclusão e o fortalecimento emocional das pessoas.
Ainda segundo o documento, a narrativa oral funciona como uma ponte entre gerações e uma ferramenta de pertencimento cultural, capaz de preservar tradições, compartilhar experiências e estimular a imaginação. O projeto também reconhece que cada história narrada contribui para manter viva a cultura local e ampliar o acesso à arte e ao conhecimento.
Para Evair, o reconhecimento oficial representa um avanço importante. “Esse projeto é um marco. Ele mostra que a cidade entende que contar histórias é parte do seu patrimônio cultural. É uma forma de dizer que nossas vozes importam e que a imaginação também constrói o futuro”.
A contadora Sonia Goia também celebrou a iniciativa e sua participação no coletivo. “Foi com grande alegria que recebi a notícia da aprovação do dia do contador de histórias pela Câmara. Uma conquista muito valiosa. E entrar nesse grupo coletivo do Contaê, para mim é um orgulho, pois sempre acompanhei o trabalho desenvolvido. Estou iniciando agora com esse grupo, mas tenho uma bagagem de experiências desde muito nova, atuando em vários ambientes. Espero contribuir e somar somente coisas boas, com muita gratidão no coração”.
Participam ainda do sarau nomes como Pia Bernabé, Marcela Montrazi, Waniria Barros, Sonia Goia, Giovana Hellmeister, Daniela Giardino e Evair Sousa. O evento “Celebrando Quem Conta” é uma realização exclusiva dos integrantes do Coletivo Contaê e convida o público a vivenciar uma noite em que histórias, afetos e memórias ganham voz e significado.
O Sarau é realizado pelo Coletivo Contaê e tem apoio cultural da Prefeitura de Piracicaba, Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes, livrarias Leitura, Pequenos Leitores e Sebo Estação Cultural, além do suco Prats. A entrada franca.