Guerra, sionismo e traição

Adilson Roberto Gonçalves

 

Guerras escondem os verdadeiros interesses envolvidos no conflito – econômicos, por exemplo – e enaltecem outras diferenças em jogo, algumas reais, outras nem tanto. A disputa religiosa e a defesa da democracia podem ser colocados na coluna de realidades relativas. Há vespeiros em que não deveríamos mexer, mas a guerra no Oriente Médio dá azo a estas reflexões.

Até outro dia o Irã estava cedendo às pressões econômicas e beligerantes de Donald Trump e perguntávamos o que seria do resto do mundo, se um país daquela envergadura estava se sujeitando às pressões de além-mar? Quais os verdadeiros interesses por trás da manifestação do falecido líder supremo daquele país que dizia estar pronto para começar o diálogo com os EUA? As respostas vieram loga a seguir e, sim, é o petróleo a razão de mais uma guerra na região. O diálogo e o estabelecimento da democracia nunca fora os objetivos. Tal qual nas disputas entre gangues, cartéis de drogas, milícias e facções, o perigo de tais “diálogos” são sempre as balas perdidas que encontram vítimas inocentes.

O que faz Donald Trump é um excelente roteiro de filme, ao promover uma guerra sem objetivo, que se torna uma guerra sem fim. Esse roteiro deveria ser fartamente premiado no Oscar – e foi, se considerarmos a obra de Paul Thomas Anderson –, mas longe de uma realidade a ser seguida por qualquer povo neste planeta. Porém, não foi por falta de aviso o que o presidente norte-americano se propôs a fazer desde o primeiro mandato, passando pela tentativa de golpe de estado com a invasão do Capitólio e o tarifaço mundo afora. O discurso da mentira triunfou e o ditado de que ela tem pernas curtas já não mais condiz com os tempos modernos.

Nessa toada beligerante, outro elemento sensível que vem à tona é a questão religiosa envolvida, com a participação de Israel na guerra. Para isso, é importante fazer um levantamento histórico sobre o sionismo e o semitismo, buscando entender as diferenças entre eles. Assim fez, de forma importante, João Koatz Miragaya em artigo recente para o Estadão, especialmente acerca do sionismo e de suas inverdades criadas, segundo o autor. No entanto, o autor forçou em seu balizamento, ao equiparar a acusação por parte da comunidade internacional – feita ao estado de Israel, de repercussão antissionista – ao julgamento de Alfred Dreyfus, injustamente acusado de traição a seu país por seu judeu. A comparação não tornou um ou outro lado do argumento digno de defesa. O artigo, muito bem escrito por sinal, fez-me buscar as duas obras citadas: “O judeu internacional”, de Henry Ford, e “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, um falso livro, segundo o autor do artigo. Verifiquei que estão disponíveis na internet, a mais antiga até como obra rara na Biblioteca Nacional. O tom é enfático ao afirmar o sionismo, semelhante àquele presente em obras que defendem a ferro e fogo o capitalismo, apresentando como verdades onde impera apenas a mentira ou a dúvida. Talvez por isso tais teses triunfem: elas refletem o pior do que há em nós, humanos.

_______

 

Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp – Rio Claro

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima