Mais de 1.500 gols do XV no Barão e nos outros estádios pelo Brasil

Paulo Campos

 

 

Na manhã de 12 de março, após um mês internado no Hospital da Unimed, o radialista Mário Luiz Tricta veio a óbito. Terminava ali sua intensa luta contra um câncer no cérebro e pulmões, identificada há meses atrás. Num café comigo no “Bistecão” a três meses, ele já tinha assimilado o diagnóstico médico e os cenários que teria que enfrentar doravante.

Só não imaginei, assim como a maioria dos piracicabanos, que a doença seria tão agressiva e rápida como se sucedeu depois. Trocamos um dedo de prosa relembrando seu bem sucedido lançamento do livro da frase/bordão que utilizou por quase 40 anos narrando jogos do XV de Piracicaba aqui na cidade ou noutros cantos do Estado de são Paulo e do Brasil. Virou tradição o seu “Gooollll do XV no Barão”, que enfatizava com rara emoção e competência do seu vozeirão.

E o bordão virou o titulo de um livro que lançou em 2022, com quase 500 páginas e um recorde de vendas para lançamentos de livros locais, tendo vendido só no dia do lançamento lá no hall de entrada do Barão de serra Negra, para cerca de 350 amigos, torcedores do clube, autoridades, patrocinadores que o ajudaram a viabilizar o projeto.

Que nasceu em plena pandemia. Com as restrições para o trabalho diário na Rádio Educadora, no seu programa matutino e no noturno, quando se dedicava integralmente a noticiar e criticar, de forma competente, os feitos e os defeitos do seu time de coração, o XV dele e nosso. Um dos seus hábitos que ajudaram a viabilizar a obra, era o de guardar os escritos em velhos cadernos, de todas as informações dos jogos que transmitias.

As escalações, nomes dos técnicos, dos reservas que entravam, dos autores dos gols marcados, de algumas curiosidades de algumas partidas e também do juiz, público e a renda daquela partida. Com essas memórias guardadas no escritório do apartamento em que vivia, usou a pandemia como desculpa para registrar um capitulo decisivo para a história do XV.

Seguiu a trilha deixada por outro jornalista de nossa cidade, Rocha Neto, autor de dois livros iniciais sobre a história do XV. E o fez, de forma detalhada, com a sequência dos jogos que narrou em campeonatos disputados pelo XV nas séries A1 e A2, na Copa Paulista, nos Campeonatos Brasileiros, amistosos nacionais e internacionais aqui realizados nas últimas quatro décadas.

Influenciou várias gerações de radialistas esportivos de nossa cidade. Um deles, Roberto Cabrini, seu pupilo no início da carreira, foi escolhido para prefaciar a obra, relembrando de forma saudosa, sobre os tempos em que ia com o pai ao estádio “Barão”, munido do seu rádio de pilhas, para acompanhar as narrações de Mário Luiz, entre pequenas comilanças de pipoca ou amendoim. Cabrini diz em certo trecho do seu prefácio que “Em todas essas lembranças ele esta ali… Como então definir uma paixão? Impossível. Mais difícil ainda definir seu mensageiro: Mário Luiz é a voz de uma das mais genuínas emoções não só da minha, mas também da vida de milhares de dedicados quinzistas. Vibrante, preciso e eloquente, construiu uma carreira exemplar, marcada pelo talento e comprometimento com a sua profissão”.

Na tarde nublada de 14 de março, Mário Luiz foi duplamente homenageado pela diretoria do XV. Seus filhos, em nome da família, receberam uma camisa zebrada única, onde aparecia nas costas a frase celebre “Gol do XV no Barão” e o seu nome. A cabine da Rádio Educadora permaneceu acesa durante a noite toda ao final da partida. E alguém nas redes sociais sugeriu que o placar do jogo do XV contra o Água Santa, em 0 a 0, foi sem dúvida, um respeitoso silêncio para que não se comemorasse um gol sequer naquela tarde/noite. Um silêncio de 90 minutos, para também homenagear a figura marcante de Mário Luiz.

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Paulo Campos, ex-vereador em Piracicaba, filiado ao Partido Solidariedade (SD)

 

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