
O projeto de lei 385/2025, que institui o “Programa Municipal de Avaliação e Prevenção dos Distúrbios do Sono, Refluxo, Transtornos do Neurodesenvolvimento e Uso Excessivo de Equipamentos Eletrônicos em Crianças da Educação Infantil”, foi tema de discurso na Tribuna Popular da 10ª Reunião Ordinária, na noite desta quinta-feira (12).
De autoria do vereador Marco Bicheiro (PSDB), a proposta, também aprovada nesta quinta, foi abordada pela dentista Fátima Rosana Albertini, que participou da construção do projeto.
A profissional, que é mestre na área de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e sono, destacou que a ideia é que Piracicaba passe a contar com uma rede de profissionais da educação, alunos e familiares aptos a identificarem precocemente problemas relacionados à qualidade do sono das crianças, encaminhando-as prontamente para acompanhamento especializado.
Segundo Albertini, há diversos sinais que podem indicar que a qualidade do sono de uma criança não está boa, como a má postura da língua e a respiração pela boca. Problemas de sono, de acordo com a profissional, podem impactar no desenvolvimento das vias aéreas e estar relacionados a questões envolvendo o neurodesenvolvimento, déficits de atenção, hiperatividade, agressividade e ansiedade.
Ronco, apneia, asma grave, refluxo gastroesofágico e até risco de morte súbita em lactentes também podem ter relação com a estrutura da boca, a postura da língua e a qualidade do sono. De acordo com a dentista, muitas vezes a criança é rotulada como “preguiçosa”, “mal-educada” ou “desatenta” quando, na verdade, sofre de privação de sono e má oxigenação.
“Percebi que tratando a criança eu poderia mudar uma vida, porque os problemas que envolvem a respiração e o sono prejudicam muito tanto o adulto quanto a criança”, disse Fátima Rosana Albertini.
Ela ainda destacou que a proposta é inspirada em um modelo adotado na Finlândia, que tem como pilares a prevenção da obesidade infantil, com estímulo à amamentação natural promovido por nutricionistas e pediatras; o estímulo à respiração nasal, por meio de encaminhamento a médicos otorrinolaringologistas; e o tratamento voltado a expandir os maxilares de crianças que necessitam dessa abordagem, com o apoio de profissionais da odontopediatria do sono.