São Francisco de Assis foi mais que um religioso, foi um exemplo

Gregório José

 

Pela primeira vez em quase 800 anos, os restos mortais de São Francisco de Assis estão sendo expostos ao público de forma prolongada. O esqueleto do santo foi colocado em uma urna de acrílico transparente, preenchida com nitrogênio para garantir sua preservação, protegida contra danos e tentativas de roubo. Sobre a peça está a inscrição em latim Corpus Sancti Francisci, repousando sobre um pano de seda branco. A expectativa é de que cerca de 400 mil peregrinos passem pelo local durante o período de visitação.            Mais do que um fato histórico, a exposição reacende reflexões sobre fé, religiosidade e a força espiritual que atravessa séculos. Para milhões de católicos, venerar as relíquias de um santo não significa adorar ossos ou objetos, mas recordar uma vida que foi exemplo radical do Evangelho. É um gesto de memória, respeito e inspiração.                     São Francisco de Assis é um dos santos mais venerados da Igreja Católica porque sua vida representou, de forma concreta, os valores centrais do cristianismo. Nascido na Itália no século XIII, ele abriu mão de riquezas e privilégios para viver na pobreza, dedicando-se aos pobres, aos doentes e aos excluídos. Fundador da Ordem dos Franciscanos, pregou a paz, a humildade, o amor à criação e a fraternidade universal.

Sua relação com a natureza, chamando o sol de irmão e a lua de irmã, tornou-se símbolo de cuidado com o meio ambiente. Não por acaso, foi proclamado padroeiro da ecologia. Seu testemunho de simplicidade e compaixão continua atual em um mundo marcado por desigualdades e conflitos.

A veneração a São Francisco não se explica apenas pela tradição, mas pela identificação profunda que as pessoas encontram em sua história. Ele é visto como o santo da paz, da alegria simples, da caridade concreta. Sua espiritualidade não ficou restrita aos mosteiros, mas foi vivida nas ruas, junto ao povo.

Diante da exposição de seus restos mortais, milhares de peregrinos não buscam apenas ver uma relíquia histórica. Buscam renovar a fé, agradecer graças alcançadas, pedir proteção e encontrar sentido espiritual. A religiosidade popular se manifesta nesses gestos silenciosos de oração, na emoção diante da memória de alguém que transformou sua época com amor e humildade.

O que se vê ali não é apenas um esqueleto preservado ao longo dos séculos, mas o símbolo de uma vida que continua tocando corações. A fé, quando enraizada em exemplos concretos de bondade e entrega, atravessa gerações. E São Francisco de Assis permanece como um dos maiores testemunhos dessa força espiritual que não envelhece com o tempo.

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Gregório José, jornalista, radialista e filósofo

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