A Inteligência Artificial e as tecnologias para apoiar o ser humano

Dirceu Cardoso Gonçalves

 

O Mundo inteiro – cada país ou região dentro de seus hábitos e prioridades – está preocupado com o emprego que cientistas, governos, empresas e até o cidadão comum têm dado à IA (Inteligência Artificial). Nossa geração, que começou a vida laboral quando a tecnologia disponível  era composta apenas pela máquina de escrever (mecânica) e os processos produtivos ditos automáticos eram executados por engenhocas dispendiosas que aos poucos perderam lugar para equipamentos mais leves e menos consumidores de matéria-prima e combustíveis, sentimos um misto de admiração, pelas facilidades, e preocupação, quando deparamos com as máquinas baseadas em processos eletrônicos e digitais que produzem mais com  menos gastos.

O avanço tecnológico tem por objetivo facilitar a vida do homem. Assim foi desde a prensa que originou a tipografia até as grandes máquinas para as mais variadas funções antes executadas manualmente ou sob a movimentação animal. Automóveis e similares, telefone, lâmpada, transistor, rádio, computador e tudo o que nos serve (ou serviu antes de se tornar obsoleto) tiveram o bem-estar humano como objetivo. Não é diferente com a Inteligência Artificial. No atual estágio de evolução tecnológica, a sociedade dispõe de variadas técnicas e diferentes objetivos. O processo produtivo substitui com vantagens a mão-de-obra pessoal e, no outro lado da moeda, cria oportunidades de produções inimaginadas pelos desenvolvedores das técnicas e processos. É o emprego da tecnologia básica para diferentes finalidades. Qualquer um do povo tem, atualmente, acesso à Inteligência Artificial. E, com ela, produz peças gráficas, sonoras e digitais de diferentes ramos. A entrada em operação dos computadores com IA ensejou a produção de diferentes fantasias. Com esse instrumental é possível o operador recolher uma amostra de voz da pessoa a ser retratada e reproduzida, gerando um discurso ou comunicado onde ela é vista dizendo convicentemente tudo o que nunca falou. No terreno da imagem, é facílimo fazer um circunspecto respeitável e recatado senhor dançar como um jovem deslumbrado, num exercício que sua  condição física jamais suportaria. Tudo está disponível no nosso computador ou até no smartphone pessoal de baixo custo. E, da mesma forma, cada processo pode ser utilizado para facilitar a indústria, os transportes e todo o setor produtivo da sociedade. Evidentemente, com os riscos da sua má utilização que pode ser fruto da imperícia ou até de ação criminosa. Daí a conclusão de que a IA pode ser produtiva ou nociva, dependendo do emprego que o usuário a ela designar.

Surgiram recentemente, nos Estados Unidos, processos judiciais onde alunos processaram suas escolas e produtores de informática porque se sentiram viciados no processo digital e essa anormalidade acabou por prejudicar seu desenvolvimento cultural, educativo e profissional. Alguns países – como a Austrália – estão criando embaraços para o uso dos processos informáticos por alunos com menos de 16 anos de idade. O objetivo é que não se vicie e nem prejudiquem o seu desenvolvimento intelectual.

Aqui no Brasil e em outros países, tanto a IA quanto os processos digitais, aplicados às redes de computadores têm sido contestados. Presenciamos a ação da Justiça censurando e punindo usuários das redes pelo cometimento de excessos que chegaram a ser capitulados como crimes e punidos com elevadas multas aos ditos infratores. É a tecnologia criando dificuldade ao cidadão, a quem foi criada para servir, mas acabou desvirtuada.

O uso indevido de tecnologias, processos, culturas e equipamentos é coisa antiga. Lá no passado, quando os aparelhos eram rudimentares, havia dificuldade para o seu emprego inadequado. O desenvolvimento técnico, no entanto, ampliou as possibilidades do emprego tanto adequado como não, que, em vez de fazer bem aos usuários e destinatários dos produtos, causa dificuldades e até prejuízos que podem ser de elevada monta.

Na época da implementação do rádio, telégrafo e outros equipamentos destinados à comunicação, os governos criaram extensas legislações que impediam a prática de abusos ou a puniam quando descoberta a impropriedade de utilização dos processos. A partir dos anos 60 e 70 do século passado, quando os computadores foram substituindo as máquinas de escrever e calcular e atuando no lugar de fonógrafos e outros equipamentos de som e imagem, parece não ter havido o mesmo cuidado da época do rádio. Parece que usuários ficaram soltos para cometer suas peraltices e mesmo crimes de diferentes graus. Talvez a grande faixa de utilização dos novos aparelhos informatizados e a indisponibilidade de recursos e disposição dos governos foi o grande gargalo que nos trouxeram aos terrenos pantanosos que hoje fazem as coisas criadas para o bem serem empregadas para produzir o mal.

Aqui no Brasil estamos entrando num ano eleitoral  de alta importância – afinal de contas, elegeremos presidente da República, governadores dos Estados e do Distrito Federal, dois terços do Senado Federal e a totalidade da Câmara dos Deputados e das Assembleias Legislativas Estaduais. É preciso garantir que a tecnologia não seja empregada para prejudicar aqueles que foi criada para beneficiar. Esperamos que as autoridades de cada área estejam atentas para evitar a polarização que tanto mal tem causado à política brasileira. Queremos a tecnologia empregada a favor do bem-estar da Nação, jamais como instrumento de tortura e atraso na vida nossa e dos nossos patrícios. E que a IA, principalmente, seja instrumento benfazejo a todos os brasileiros e, se possível, à totalidade dos seres humanos.

 

 

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Dirceu Cardoso Gonçalves, tenente e dirigente da Aspomil (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

 

 

 

 

 

 

 

 

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