Patrimônio – Condephaat inicia estudo para tombamento da Fábrica Boyes

Movimento “Salve a Boyes” comemorou a decisão do Condephaat

Estudo abrange a Cia. Industrial e Agrícola Boyes, o Palacete Luiz de Queiroz, a Praça Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz e o Museu da Água

 

 

O Condephaat decidiu, no último dia 6 de fevereiro, abrir estudo de tombamento estadual do conjunto fabril da antiga Fábrica Boyes, em Piracicaba. A medida integra o processo nº 010.00013470/2023-09 e foi formalizada por voto favorável do conselheiro relator Eduardo Trani, marcando um passo relevante no reconhecimento do valor histórico e paisagístico da área do Salto do Rio Piracicaba.

O estudo abrange a Cia. Industrial e Agrícola Boyes, o Palacete Luiz de Queiroz (Palacete Boyes), a Praça Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz e o Museu da Água, todos situados às margens do rio, em uma das regiões mais simbólicas de Piracicaba. Segundo o parecer técnico que embasou a decisão, o valor cultural de relevância estadual está diretamente ligado à paisagem do Salto e à relação histórica entre os conjuntos fabris da Boyes e do Engenho Central, marcos da origem industrial do município.

O documento destaca que a preservação deve considerar o conjunto e sua leitura histórica, urbana e paisagística, e não apenas edificações isoladas. O relator esclarece ainda que a abertura do estudo de tombamento não implica congelamento da área nem impede intervenções, funcionando como instrumento de reconhecimento de valores culturais que devem orientar projetos futuros, conciliando preservação e desenvolvimento urbano.

O parecer do Condephaat também reconhece que a região já conta com instrumentos de proteção patrimonial em nível municipal, como o tombamento da Avenida Beira Rio, Rua Luiz de Queiroz, Parque do Mirante, Rua do Porto e Largo dos Pescadores, por meio de decreto municipal de 2004, além do tombamento estadual do Engenho Central e da Casa do Povoador. A atuação do órgão estadual, conforme o voto, deve ser complementar, fortalecendo diretrizes de preservação em diálogo com a legislação local.

Para o conselheiro, o núcleo central da proteção está na memória industrial associada ao rio, elemento estruturador da formação urbana e cultural de Piracicaba e referência para todo o Estado de São Paulo.

O Movimento Salve a Boyes avaliou a abertura do estudo como uma vitória da cidade e da participação social na defesa do patrimônio público. Para o grupo, a iniciativa representa um passo decisivo para a proteção integrada do parque fabril da Boyes, do Engenho Central, do Palacete Luiz de Queiroz, da Praça Ermelinda Ottoni e do Museu da Água, compreendidos como um conjunto indivisível articulado pela paisagem do Salto do Rio Piracicaba.

“O Salto do Rio Piracicaba não é apenas um cartão-postal natural, mas um território histórico onde se encontram a memória do trabalho, da industrialização e da água como força produtiva, além de seu conteúdo simbólico e da identidade cultural da cidade”, afirma o movimento. A entidade ressalta que preservar não significa impedir o uso do espaço, mas assegurar que qualquer projeto futuro respeite a história, a paisagem e o direito coletivo à memória, com potencial para educação patrimonial, turismo cultural sustentável e valorização dos espaços públicos.

A abertura do estudo de tombamento segue agora para as etapas técnicas no âmbito do Condephaat, com expectativa de novos debates públicos e aprofundamento das análises sobre o valor histórico, cultural e paisagístico do conjunto. A decisão reforça princípios contemporâneos da preservação cultural, que entendem o patrimônio como elemento vivo da cidade e parte essencial do planejamento urbano.

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