OFICIAIS – I
Depois que veio à tona, na imprensa, o uso indevido de veículo oficial da Câmara pelo vereador Josef Borges (PP), que levou de forma irregular uma roçadeira no porta-mala, as críticas ao aluguel de 13 carros para uso de parlamentar têm se avolumado nas redes sociais. Uma postagem do advogado Gustavo Pires, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Piracicaba, aponta “estranheza” ao benefício para os edis.
OFICIAIS – II
Ele escreve, na postagem, que a Câmara possui frota própria, “com veículos em excelente estado de conservação e motoristas à disposição”, pontua, “justamente para atender os gabinetes e cumprir agendas dentro e fora da cidade de Piracicaba”, destaca o advogado. Mas conclui: “Mesmo assim, 13 vereadores receberam veículos Virtus 0 km e mais 200 litros de gasolina por mês para uso livre. Isso não causa estranheza?”
OFICIAIS – III
As críticas do advogado ficam ainda mais assertivas quando se compara o custo do veículo oficial em relação ao valor do café da manhã dos funcionários públicos, que, segundo ele, é R$ 44 ao mês. “Parece piada”, escreve. Pires enumera deficiências como a falta coleta de lixo, de água, de medicamentos e de insumos básicos de saúde, entre outros.
OFICIAIS – IV
Sem citar nomes, o advogado Pires escreve que há esposa de vereador ocupando cargo comissionado de R$ 16 mil, nomeada sem concurso público”. “E não é caso isolado, não”, acrescenta, ao sugerir que pode haver mais parlamentares com familiares exercendo cargos comissionados na Administração Municipal. “Não te causa estranheza”, questiona.
OFICIAIS – V
Nos comentários da postagem – até o fechamento desta edição, tinha 87 curtidas –, as críticas à Câmara são generalizadas, assim como a opinião do advogado é corroborada pela maioria. Este Capiau, idoso e cansado, sabe que é comum a cobrança aos edis, mas percebe que, desde o caso do IPTU, no ano passado, estas críticas têm crescido em quantidade e intensidade. É o caldeirão da política local com cada vez mais fervura.
ESQUEMA – I
Na cidade de Francisco Alves, no Paraná, a Justiça Eleitoral condenou 14 candidatos que concorreram ao cargo de vereador nas Eleições Municipais de 2024, após denúncia de um esquema de compra de votos com a distribuição de “vales-combustível”. A informação foi divulgada pelo G1, site de notícias da Globo. A matéria aponta que sete dos condenados foram eleitos que, por enquanto, recorrem da decisão ainda exercendo seus cargos.
ESQUEMA – II
A Justiça determinou que os 14 candidatos condenados fiquem inelegíveis por oito anos, além da anulação dos votos recebidos. No caso dos sete candidatos que foram eleitos, a Justiça determina também a perda dos cargos. Segundo a Promotoria de Justiça, os candidatos praticaram atos de abuso de poder econômico “operando um esquema ilícito de distribuição de ‘vales-combustível’ a eleitores em troca de votos e apoio político.”
FEDERAL — I
Em Piracicaba, a lista de pré-candidatos a deputado federal está crescendo mais rápido que fila de pastel na quermesse. Barjas Negri (PSD), Erick Gomes (MDB), Paulo Campos (Solidariedade) e Rai de Almeida (PT) já vinham sendo citados por este idoso e cansado Capiau, que acompanha a política local como quem acompanha novela das nove: com atenção, desconfiança e um cafezinho do lado.
FEDERAL — II
Mas eis que surge mais um nome no tabuleiro eleitoral: Luís Bená, do Partido Missão. Advogado, Bená se apresenta nas redes sociais como defensor da ideologia liberal e já avisou que está disposto a trabalhar por Piracicaba. Pelo ritmo que a coisa vai, daqui a pouco vai faltar santinho e sobrar candidato. Ainda bem que aquele famoso “aleluia” está proibido pela Justiça Eleitoral.
ALELUIA — I
Calma lá antes que alguém já puxe o hinário… Esse “aleluia” a que me referi não tem absolutamente nada a ver com manifestações evangélicas, muito menos com aquelas empolgadas celebrações conduzidas pelo todo-poderoso presidente da Igreja Quadrangular, pastor Toninho Stefan, durante os cultos. E passa longe também daquela já tradicional encenação das “cadeiras vazias” que, curiosamente, costuma aparecer todo ano eleitoral. Não. Nada disso.
ALELUIA — II
Esse “aleluia” era outro. Bem mais terreno. Bem mais político. Bem mais… escorregadio. Estamos falando daquele clássico momento das eleições da década passada, quando, na porta das escolas, o chão amanhecia coberto por uma chuva santa de santinhos de candidatos. Uma verdadeira liturgia eleitoral ao ar livre, onde o eleitor saía da seção quase surfando em papel couchê. Era o famoso “aleluia” dos santinhos voadores.
ALELUIA — III
Hoje isso já não pode mais. Ou pelo menos, não é ético. Nem bonito. Nem seguro pra quem vai votar de chinelo e sai patinando em santinho alheio. E assim, o tal “aleluia” saiu das calçadas e, quem diria, voltou para onde talvez sempre devesse ter ficado: no discurso… ou nos altares, especialmente quando o pastor Toninho Stefan anuncia, com ares quase litúrgicos, os três “candidatos oficiais” da Igreja Quadrangular.
ALELUIA — IV
Este Capiau faz questão de dizer: não tem nada contra manifestações de fé. Muito pelo contrário. O problema nunca foi o amém, o problema sempre foi o “vote em mim”. Porque os evangélicos costumam pregar, com razão, que é preciso fazer as coisas certas, dentro da lei, com retidão, caráter e temor. Mas, curiosamente, quando o assunto vira candidatura eleitoral… parece que alguns pastores descobrem uma interpretação mais… flexível das escrituras, e, às vezes, das regras também. Mas, claro, deve ser só impressão deste idoso e cansado Capiau.
ALELUIA — V
Nestas eleições, este Capiau promete uma coisa: vai andar com a Constituição numa mão e a lupa na outra. Ficará de prontidão para o “não cumprimento” das legislações eleitorais e, toda vez que os comentários de bastidores soprados pelo vento da fofoca política indicarem que alguém resolveu fazer um pequeno “ajuste criativo” nas regras do jogo, a coluna vai registrar.
ALELUIA — VI
Porque onde tem santinho voando, tem Capiau anotando. Onde tem apoio “espontâneo demais”, tem Capiau desconfiando. E onde tem milagre eleitoral acontecendo rápido demais… tem Capiau coçando o queixo. Se a lei for ignorada, a coluna será lembrada. Se a ética for esquecida, a coluna será publicada. Afinal, este idoso Capiau pode estar cansado, mas a memória ainda funciona e o senso de humor também. Há, vale lembrar senhores pastores, no altar é proibido pedir votos.
ÉTICA
E este Capiau lembra, mesmo idoso e cansado, que uma definição para ética é: “o cumprimento do não obrigatório”. Vale analisar a afirmação. Pura e simplesmente, pessoal.