Alvaro Vargas
Em todos os tempos da evolução humana, sempre existiram a supervisão e interferência dos Espíritos sobre os homens. O coordenador desse processo é o governador espiritual da Terra, Jesus de Nazaré, que acompanha a jornada humana, desde a nossa criação, visando a nossa evolução até a condição de Espíritos puros. A morte física é apenas a conclusão de uma etapa de aprendizado no mundo material, visto que o nosso espírito é imortal e, no regresso à erraticidade, continuamos a progredir nas instituições ali estabelecidas, preparando-nos para novas reencarnações necessárias ao nosso desenvolvimento intelecto-moral. Embora Deus nos tenha concedido o livre-arbítrio, somos responsáveis pelas ações cometidas, segundo a lei de causa e efeito, conforme esclareceu Jesus: “(…) a cada um segundo as suas obras” (Mateus, 16:27). Independentemente da nossa vontade, somos supervisionados pelos mentores espirituais, sendo que a liberdade de agir ocorre em certos limites.
Entre as inúmeras atividades dos espíritos no mundo, destaca-se a missão dos mensageiros de Jesus, encarregados de revelar os seus ensinamentos. Segundo Allan Kardec (O Livro dos Espíritos, questão-622), “são os Espíritos Superiores encarnados com o objetivo de fazer a Humanidade avançar”, como foram Sócrates e Platão foram – missionários do Alto que vieram preparar o terreno para o Cristianismo e para o Espiritismo. Essas revelações espirituais necessitam serem dosadas, ocorrendo de acordo com a evolução da Humanidade. Os locais e o povo capaz de assimilá-los são determinados pelo Mundo Maior, com o objetivo de difundi-los por toda a Terra. Isso ocorreu com o povo hebreu, e posteriormente os judeus, que tiveram a presença de Moisés e Jesus de Nazaré, apresentando às duas grandes revelações espirituais, respectivamente. Mesmo que os judeus ainda não reconheçam Jesus como o Messias, aqueles que o aceitaram, conseguiram difundir o seu Evangelho. Ciente do seu destino e os desvios que iriam ocorrer com os seus ensinamentos, pouco antes de ser preso em Jerusalém, Jesus profetizou: “(…) E eu rogarei ao Pai e Ele vos enviará outro Consolador” (João, 14:16), referindo-se ao Espiritismo (a terceira revelação), que consola ao esclarecer os homens os motivos de seus sofrimentos e como superá-los. Essa doutrina dos espíritos surgiu na França, em época oportuna, quando parte expressiva dos homens atingiram um nível de esclarecimento capaz de assimilá-la. Embora não tenha tido um grande impacto entre os franceses, seus fundamentos foram amplamente aceitos no Brasil.
O surgimento dessa doutrina, contudo, ocorreu em várias etapas. O Espírito Emmanuel (XAVIER, F. C. Seara dos médiuns, cap. 29), cita que a intervenção ostensiva do Plano Espiritual no Plano Físico, pode ser definida em três períodos essenciais: aviso, chegada e entendimento. De Emanuel Swedenborg (1688-1772) a Andrew Jackson (1767-1845), o aviso da renovação necessária; em 1848, no vilarejo de Hydesville, iniciou-se publicamente a chegada dos comandos sobre a sobrevivência do Espírito, e a obra do entendimento, encetada por Allan Kardec, esclareceu a posição da doutrina espírita e dos fenômenos paranormais. Entretanto, como toda a edificação espiritual obedece à cronologia da mente, ainda hoje encontramos milhares de pessoas na fase do aviso e outras tantas na fase da chegada, situadas entre a esperança e a convicção.
Conhecendo as limitações humanas, e as dificuldades compreender e vivenciar a sua doutrina, Jesus resumiu essa realidade na frase: “muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mateus, 22:14), visto que apenas alguns assumem de forma genuína, a reforma moral íntima. Entretanto, os que se encontram na fase do entendimento, é importante que concretizem os ideais de fraternidade e do amor, esclarecendo os homens sobre os ensinamentos do Cristo, à luz da Terceira Revelação.
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Alvaro Vargas, engenheiro agrônomo-Ph.D. palestrante espírita