Mudanças climáticas Corredor Caipira aponta necessidade de florestas

Henrique Campos é coordenador técnico do Corredor Caipira. CRÉDITO: Jessica Lane

O aumento das chuvas e os problemas causados aos municípios e às suas populações vêm gerando preocupação em profissionais do projeto ambiental “Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas”. Temporal que atingiu Piracicaba na noite da última quinta-feira (29), ocasionou alagamentos em diferentes pontos da cidade. Um homem morreu após ser arrastado, junto com sua motocicleta, pela enxurrada em uma importante avenida.

“O aumento da intensidade dos temporais que a gente vê com cada vez mais frequência ocorre em virtude das mudanças climáticas. O aquecimento do planeta tem um impacto direto na regularidade das chuvas”, afirma Henrique Ferraz de Campos, coordenador técnico do projeto “Corredor Caipira”.

“Com o ar mais quente, há maior capacidade de retenção de vapor d’água e mais energia e, quando a chuva acontece, ela vem de forma mais intensa e concentrada. Além disso, os contrastes de temperatura ficam mais fortes, favorecendo tempestades com ventos, raios e grandes volumes de chuva em pouco tempo”, indica Henrique.

REFLORESTAMENTO – O “Corredor Caipira” aponta a importância de realizar ações de reflorestamento, especialmente em áreas onde a existência de vegetação nativa remanescente é considerada baixa. Segundo um estudo realizado pelo projeto em 2021, Piracicaba possui 9% de vegetação natural.

A área de abrangência direta do “Corredor Caipira”, reúne, além de Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Santa Maria da Serra e Anhembi. De acordo com o mesmo levantamento, a porcentagem de remanescentes apresenta variação entre os municípios, correspondendo a 15% em Santa Maria da Serra, 16,5% em São Pedro e Águas de São Pedro, e 18,5% em Anhembi.

“Temos uma quantidade de vegetação nativa muito abaixo do ideal em nossa região e isso agrava a situação. As florestas ajudam a regular o clima e a forma como a chuva acontece. Quando estão bem conservadas e melhor distribuídas no território, elas agem mantendo a umidade do ar equilibrada, reduzindo o calor excessivo e fazendo com que a chuva caia de maneira mais distribuída”, diz.

“Plantar mais florestas e garantir estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas é essencial para reduzir eventos extremos e proteger as cidades e as pessoas”, completa Campos.

O “Corredor Caipira” é realizado pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace-Pteca) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Esalq/USP). O patrocínio é da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

 

 

 

 

 

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