Celso Gagliardo
Com o novo ano as pessoas revisam metas, repensam objetivos e, não raras vezes, passam a considerar o engajamento em movimentos de benemerência, de caráter social, voltados ao auxílio ao próximo: o chamado trabalho voluntário.
Este artigo é para você que já se sente alinhado a esse propósito — ou para ser compartilhado com aquele amigo, parente ou conhecido que você sabe que deseja tornar-se voluntário.
O CVV – Centro de Valorização da Vida – é uma instituição social que realiza um trabalho essencial há 63 anos no Brasil. O serviço é voluntário, gratuito e oferece atendimento sigiloso por telefone, chat e e-mail. Reconhecido como entidade de utilidade pública federal, o CVV funciona com uma estrutura matricial que estabelece diretrizes e treinamentos, garantindo um padrão de atendimento uniforme em todos os postos. São em torno de 90 postos espalhados pelo país e mais de 3.000 voluntários em atividade.
Em Americana, o posto — com sede própria — funciona ininterruptamente há 42 anos, completados em fevereiro. Sua fundação contou com o apoio do CVV de Limeira e do Grupo de Socorristas Cristãs. A sustentabilidade da instituição é assegurada pela Mantenedora SVVV (Serviço Voluntário de Valorização da Vida), por meio de doações de pessoas físicas e jurídicas. Não há qualquer contribuição governamental.
Vivemos um tempo marcado por grandes desafios à manutenção da saúde mental. A vida agitada, a competitividade excessiva, as transformações tecnológicas impactantes e a individualidade exacerbada compõem um cenário que contribui para o aumento da procura por apoio emocional. Diante disso, o trabalho do CVV torna-se cada vez mais necessário — e, consequentemente, cresce também a necessidade de novos voluntários.
O atendimento telefônico acontece pelo número 188, (sem custo de ligação). É um dos serviços que mais recebem chamadas no país, oferecendo apoio emocional 24 horas por dia, todos os dias do ano.
Quem nunca atravessou uma dificuldade mais séria? Um momento aflitivo? Uma situação de desespero? Um sentimento de solidão avassalador ou aquela vontade urgente de desabafar? O voluntário do CVV está do outro lado da linha para isso: dedicar-se à escuta compreensiva, com respeito, empatia, sem julgamentos ou crítica e com absoluto sigilo. Um dado alarmante reforça a importância desse trabalho: a cada seis brasileiros, um já pensou seriamente na possibilidade de tirar a própria vida.
Diariamente, 42 pessoas morrem por suicídio no Brasil, com crescimento preocupante entre jovens e adolescentes — um alerta que exige atenção redobrada de toda a sociedade.
Qualquer pessoa maior de 18 anos pode se tornar voluntária. Para isso, passará por um treinamento presencial ou remoto, totalmente gratuito, com conteúdo teórico e simulações práticas de atendimento.
Vale destacar que o voluntariado no CVV permite servir a um propósito maior, olhar para além dos próprios interesses e contribuir diretamente para a vida de outras pessoas. Além disso, há ganhos pessoais significativos: o desenvolvimento de habilidades como escuta ativa, empatia e comunicação — competências úteis em todas as áreas da vida. Ajudar o outro, fortalecer laços comunitários e conviver com pessoas diferentes impacta positivamente a saúde mental e o bem-estar geral. É aprendizado contínuo, uma oportunidade permanente de compreender melhor a condição humana, as emoções e a saúde emocional.
Pessoas interessadas em participar do processo de seleção devem se inscrever pelo site https://cvv.org.br/voluntarios/americana e aguardar o chamado para o treinamento.
O trabalho voluntário no CVV não oferece remuneração financeira. Em contrapartida, proporciona um retorno imensurável em crescimento pessoal e impacto social positivo.
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Celso Gagliardo, profissional de RH e Gestão, jornalista (celsogagliardo.blogspot.com)