Brasil joga ofensivo

Gregório José

 

Brasileiro adora um jogo emocionante, e nos últimos dias o campo político-esportivo em Brasília tem sido tão disputado quanto final de campeonato. Numa verdadeira jogada estratégica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu em seu “campo de defesa” o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e os chefes da CBF para uma conversa que misturou futebol, política e …. metas de Copa do Mundo!

O Brasil não está satisfeito em ser apenas espectador no calendário mundial. A ideia é assumir o protagonismo, como um atacante que parte para cima desde o apito inicial. Lula fez, segundo relatos, um hat-trick de pedidos ao mandatário da FIFA: além de insistir para que a Copa do Mundo de Clubes de 2029 seja sediada por aqui, ele pediu também que o Congresso da FIFA de 2027 seja realizado no Brasil e que a entidade junte forças com a CBF numa campanha contra o feminicídio, um tema social pesado que saiu do campo esportivo, mas tem a mesma urgência que um gol no fim da partida.

No mesmo encontro, a CBF, que já vinha acertando os passes há algum tempo reforçou sua intenção de trazer o Mundial de Clubes para o Brasil em 2029, aproveitando o apoio político como trunfo extra no esforço conjunto com a FIFA.

Sentado à mesa, como um técnico observando o tabuleiro, estava também Carlo Ancelotti, atual treinador da seleção brasileira, participando como se fosse aquele reforço surpresa no meio de campo, talvez para garantir que a conversa ficasse mais próxima do universo futebolístico de verdade.

A estratégia brasileira, entretanto, ainda enfrenta marcação cerrada: o processo oficial de escolha da sede ainda não começou, e rivais como Espanha, Catar e Marrocos já mostraram interesse na competição. Em outras palavras, o Brasil ainda precisa transformar essa troca de passes política em gol de fato, ou seja, convencer a FIFA de que o futebol daqui merece levantar esse caneco em casa.

Mas, como em qualquer jogo de futebol, a torcida já está animada, os estádios (alguns ainda lembrando a Copa de 2014) vão ganhando vida nas conversas, e a esperança de ver um evento mundial de clubes por aqui segue firme, quase como aquele torcedor que grita “agora vai!” a cada investida.

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Gregório José, jornalista, radialista e filósofo

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