Professores lembrados e professores esquecidos

 

Armando Alexandre dos Santos

 

Todos nós, quando reencontramos antigos colegas de escola primária ou secundária, nos comprazemos em recordar os nomes e as figuras de antigos mestres. Eram professores humildes, mas passavam lições de vida. Eram sérios, dedicados, sentiam-se verdadeiramente realizados na sua vocação de mestres. Alguns se destacavam pelo rigor, outros pela bondade, outros pelo bom humor, mas todos, sem exceção, eram professores no verdadeiro sentido do termo. São lembrados porque se tornaram dignos de memória.

Também tivemos maus professores, sem dúvida. Mas esses, o tempo os devorou e não deixaram marca alguma na nossa memória de antigos discípulos. É esse o destino inelutável de todas as mediocridades…

Quais as características de um bom professor, que o tornam digno de ser lembrado, décadas à frente, por seus antigos discípulos?

Um bom professor tem, em primeiro lugar, que conhecer muito bem a matéria que leciona. Nada impressiona tão mal um aluno como perceber que o professor está “patinando”, “escorregando”, confundindo-se. Se algum aluno faz uma pergunta que o docente não sabe responder, o errado é enrolar o aluno. O melhor é confessar humildemente que não sabe e convidar o aluno a ajudá-lo na procura da resposta. O sistema funciona, posso garantir.

Depois, o professor deve amar profundamente o que faz. Uma das maiores pragas do ensino brasileiro é que, por razões de ordem diversa que não vem ao caso analisar aqui, muitos professores trabalham desmotivados, despreparados, frustrados, e dão aulas sem entusiasmo, sem conseguir transmitir aos alunos seu amor e seu interesse pela disciplina que ministram. São professores que deviam estar fazendo qualquer outra coisa, menos dar aulas.

O professor deve, ainda, ter um respeito muito grande pelos alunos. Não sou adepto do construtivismo, muito pelo contrário. Mas também considero inadmissível a ideia de que o processo de ensino só é ativo por parte do docente, devendo ser meramente passivo por parte do aluno. Isso nunca foi real, nem nos tempos antigos, muito menos na atualidade.

No ensino, deve sempre ser respeitada a singularidade de cada aluno. Cada caso é um caso, diferente de todos os demais. Não se pode tratar uma classe de alunos como quem conduz um rebanho de ovelhas.

Um dos fatores que mais colaboram para um professor ser bem-sucedido na sua missão educadora é ele conseguir que cada aluno se sinta visto, compreendido e estimado individualmente. Saber o nome de cada um e tratá-lo pelo nome é fundamental. Nenhuma música é tão agradável aos ouvidos humanos como ouvir o próprio nome pronunciado por outra pessoa.

Importa também conhecer os gostos, os interesses e as dificuldades de cada um dos discentes. O que é que custa, vendo que um aluno está gripado, por exemplo, interessar-se por ele e, no dia seguinte, perguntar se melhorou. É uma pequeníssima coisa, mas tem enorme importância para o sucesso do ensino. Se durante uma aula o professor, de repente, nota que algum aluno pareceu especialmente interessado em algum ponto específico do que foi exposto em sala de aula, o que custa depois, discretamente, puxar conversa com o aluno e procurar saber mais sobre o motivo daquele interesse? Quem sabe pode nascer, de um episódio insignificante desses, uma futura vocação para alguma profissão ou objeto de estudo?

São essas coisas que fazem diferença no penoso – mas altamente gratificante – labor educativo.

 

 

 

 

 

(*) Licenciado em História e em Filosofia, doutor na área de Filosofia e Letras, membro da Academia Portuguesa da História e dos Institutos Históricos e Geográficos do Brasil, de São Paulo e de Piracicaba.

 

Frase a destacar: São essas coisas que fazem diferença no penoso – mas altamente gratificante – labor educativo.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima