Lavínia de Souza
Já estive em muitas manifestações, desde protestos, passeatas e greves em Campinas, junto aos professores municipais, meus companheiros. Nós protestávamos contra prefeitos que governavam traindo as promessas de suas campanhas eleitorais. Conheci militantes de vários partidos de esquerda, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) também. Nunca, nunca mesmo vi, sequer da parte deles, qualquer ato contra prédios públicos e a destruição deles.
Quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil, em 2018, não me lembro dos partidos de oposição organizarem protestos contra sua posse, diferentemente do que aconteceu em 08 de janeiro de 2023. O presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin foram legitimamente eleitos na última eleição à presidência do país, em 2022.
Não seria de direito governarem!?
Não foi o que os golpistas, presididos por Bolsonaro e seus militares traidores da pátria, fizeram. Conspiraram, apoiaram que bárbaros militantes de extrema direita bolsonarista invadissem e depredassem o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Foram mais longe, planejaram as mortes do presidente Lula, do vice e de um ministro do Supremo Tribunal Federal!
A intentona golpista foi derrotada, seus líderes julgados e presos. Nesse ano de 2026, completamos 3 anos desses ataques à nossa democracia. Não podemos esquecer!
É atribuição dos professores ensinarem para seus alunos a história de nosso país, a atual e a do passado. As novas gerações necessitam de conhecimento histórico para compreenderem o presente e um futuro próximo. Minha geração estudou durante a ditadura militar; professores foram perseguidos, presos, proibidos de contar a verdade sobre o que acontecia em nosso país, das torturas e mortes dos que eram contra o regime ditatorial. Não nos falaram sobre a interferência dos Estados Unidos, o grande incentivador e apoiador das ditaduras daqui e de toda a América Latina.
A memória histórica é fundamental na educação; ela nos orienta, nos previne contra a repetição dos erros passados. As fontes de informação não podem ser apenas essa imprensa vendida, corrompida pelos que pagam mais. Acreditar apenas em noticiários e jornais ligados ao imperialismo e nas vozes de muitos que, pela Internet, compartilham mentiras é mostrar falta de conhecimento e de preguiça intelectual para procurar outras fontes, verificar se as informações são, de fato, reais.
Está diante de nós, educadores, e de toda a sociedade, o desafio de formar cidadãos conscientes e críticos, nesse século XXI. Os recentes ataques do imperialismo americano devem servir de exemplo às novas gerações, para que lutem por um mundo mais justo, em que prevaleça o respeito e a solidariedade entre as nações.
________
Lavínia de Souza, economista doméstica e pedagoga