
Luiz Tarantini
A técnica Nívia de Lima entrou para a história do futebol brasileiro neste sábado (3/1) ao comandar a Chapecoense sub-20 na vitória por 3 a 2 sobre o Volta Redonda, na estreia da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em Santa Fé do Sul. O resultado marcou um feito inédito: Nívia tornou-se a primeira mulher a vencer uma partida na principal competição de base do país.
Visivelmente emocionada após o apito final, a treinadora destacou o significado do momento.
“O sentimento quando entrei no campo alcançando esse marco histórico foi de gratidão. Passou um filme na minha cabeça sobre a minha trajetória, do quanto precisei ser resiliente e do quanto tive que me preparar para este momento”, afirmou.
Nívia de Lima é apenas a segunda mulher a comandar uma equipe masculina na Copinha. Antes dela, apenas Nilmara Alves Pinto havia ocupado essa função, à frente do Manthiqueira, de Guaratinguetá, em 2017. Após a partida, a técnica da Chapecoense falou sobre as adversidades enfrentadas ao longo da carreira e ressaltou a necessidade de coragem para permanecer em um ambiente ainda majoritariamente masculino.
“O futebol não é um ambiente comum de trabalho para as mulheres. Mesmo assim, com coragem me preparei para que tudo acontecesse, acreditando no processo e no meu legado para fazer o que eu amo”, completou.
Dentro de campo, a Chapecoense mostrou força e personalidade. A vitória foi construída com dois gols do jovem Alberto e um gol contra de Caio, do Volta Redonda. Com o resultado, a equipe catarinense largou bem no Grupo e ganhou confiança para a sequência da competição.
A Chapecoense volta a campo nesta terça-feira (6/1), às 15h15, para enfrentar o Alagoinhas Atlético Clube, novamente no Estádio Evandro de Paula, em Santa Fé do Sul.
TRAJETÓRIA – Aos 44 anos, Nívia de Lima é formada em Educação Física e atua na Chapecoense desde 2012. Ao longo de sua trajetória no clube, passou pelas categorias sub-12, sub-15, sub-17 e sub-20, consolidando-se como uma das profissionais mais respeitadas da base alviverde. Em 2025, levou o sub-20 à final do Campeonato Catarinense, desempenho que lhe rendeu a oportunidade de comandar também o time profissional na disputa da Copa Santa Catarina.
O feito na Copinha reforça não apenas a competência da treinadora, mas também representa um avanço simbólico importante na luta por mais espaço e igualdade para as mulheres no futebol brasileiro.