A urbanização amazônica de 2.500 anos

Rui Cassavia Filho

 

As cidades como conhecemos hoje são constituídas de uma alta densidade populacional e habitacional, que as glorificam de “Metrópolis”, um “status” de civilização excepcional.

Essa excepcionalidade urbana, que traz o desenvolvimento econômico e as especialidades humanas, trouxe ao longo do tempo a desigualdade social em todos os seus aspectos e formas de dessocialização e insegurança.

Ensinou o povo de Upano que “As plataformas eram em sua maioria retangulares, embora algumas fossem circulares, e mediam cerca de 20 por 10 metros, conforme o estudo. Eles eram normalmente construídos em torno de uma praça em grupos de três ou seis. As praças também costumavam ter uma plataforma central. A equipe também descobriu complexos monumentais com plataformas muito maiores, que, segundo eles, provavelmente tinham função cívica ou cerimonial.”

A disposição urbana dos equipamentos públicos, das unidades habitacionais , das ligações entre elas por vias retilíneas e de largura relevante de até 20 metros permitindo uma mobilidade excepcional, e inclusive de plataformas de produção agrícola com eficiência e eficácia no seus plantio; demonstram atividades politicas e socioeconômicas capazes de produzir a sustentabilidade procurada hoje por nossa civilização.

Chama atenção a disposição urbana em núcleos de ocupação de pequenos grupos, apresentando baixa densidade habitacional, buscando o equilíbrio entre a sobrevivência produzida pela agricultura dimensionada, permitindo a ligação entre eles por meio das “vias” , aqui retas e de dimensões excepcionais.

Essa disposição urbana das “cidades da Amazonia” produz e apresenta as “centralidades urbanas”, quais propõem administrações eficientes e eficazes capazes de manter os ‘cidadãos” organizados, além de que propõem “praças ou áreas de lazer” públicas de uso comum.

Essa disposição territorial e sua ocupação urbana propõe uma sociedade mais equalitária, isto é, uma igualdade social entre todos os seus habitantes; de sorte que o mercado, aqui o capital, não era a base da economia urbana.

Sua expansão não se deu pelo seu desenvolvimento econômico, mas pela expansão de sua população e sua ocupação territorial, proporcionado mais de 50 aglomerados ou grupos, ligados entre si pelas suas extensas “vias”, proporcionando uma ocupação territorial extraordinária.

Hoje, as grandes cidades europeias, como Paris, são estudadas e planejadas por “centralidades” urbanas socioeconômicas, como mostram os ensinamentos dos estudos do “Instituto de Estudios de Administracion Local de Madri” em 1977.

Estas “centralidades urbanas” utilizadas pelo povo “Upano” mostra que a “vida em sociedade” é essencial para que os “bens escassos” não produzem riqueza, para alguns, e pobreza, para outros na sua maioria.

O equilíbrio que se procura em uma sociedade reflete sua ocupação urbana, especialmente, quando a propriedade deixa de cumprir sua função social, que diretamente implica que a cidade também deixa de cumprir sua função social.

A cidade, aqui de nossa “terrinha”, permite nas suas legislações locais, Plano Diretor e, Uso e Ocupação do Solo, o qualquer uso do solo urbano em qualquer lugar, indiscriminadamente, com exceção de industrias ( ás vezes ), criando a “legalidade” do “uso nocivo da propriedade” como prevê o Novo código Civil , o Estatuto da Cidade, e nossa Constituição.

Essa “discrininalidade legal urbana” cria “desordenamento urbano”, onde tudo é permitido em qualquer lugar do solo urbano, e “legalizando” uma sociedade “desorganizada”, onde o” bar é vizinho da residência”.

Essa permissão, que cria está “bagunça urbana”, descaracteriza o “poder de polícia” do uso e ocupação do solo urbano, porque tudo é permitido, e não necessidade do “estudo de impacto de vizinhança”, porque o bar, seu vizinho, é permitido seu funcionamento em detrimento das “necessidades de paz e sossego” da residência familiar, isto é, do uso residencial,

Esse desenvolvimento urbano perverso, que produz riqueza para alguns e muita pobreza para os demais, cria metrópoles cada vez mais indesejáveis á vida humana; onde seus esses mesmo “moradores” buscam suas felicidades em “cidades”, aqui pequenas e pacatas comunidades.

O exemplo do povo “Upano”, há 2.500 anos, mostra que a “sabedoria da vida” está em essa vida ser vivida com dignidade e felicidade; então que busquemos em nossa “tecnologia” essa “sabedoria”.

Lembramos aqui que nessa “terrinha” tem um rio e sua floresta que necessariamente deve ser preservados para preservamos nossas vidas.

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Rui Cassavia Filho, Gestor da Propriedade Imobiliária-Urbs

 

 

 

 

 

 

 

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