Judeus, palestinos e a História 

Antonio Roberto de Godoi

 

A criação do Estado de Israel já agitava a Palestina desde o começo do século XX. Os primeiros debates sobre a criação desse Estado se estabeleceram na última década do século XIX.

Sua criação foi resultado da movimentação política internacional dos sionistas. Ao longo das décadas de 1910, 1920 e 1930, a população judaica na Palestina foi crescendo gradativamente. Além disso, os sionistas receberam a promessa do Reino Unido (que passou a controlar a região depois da Primeira Guerra Mundial) de criar um Estado judaico.

Após o Holocausto, genocídio de judeus na Europa pelos nazistas, o Reino Unido abriu mão do seu mandato sob a Palestina, deixando a região em tensão nesse conflito entre árabes e judeus. A situação foi entregue para a ONU, que resolveu mediar o conflito estabelecendo uma proposta.

O sionismo, por sua vez, é um movimento nacionalista judeu que se consolidou na década de 1890 que defendia a criação de um Estado judeu na Palestina como solução ao antissemitismo na Europa. Seu objetivo era criar um Estado Nacional exclusivo para os judeus.

A criação do Estado de Israel se concretizou no dia 14 de maio de 1948, por intermédio da Organização das Nações Unidas, como parte da divisão da Palestina que essa organização estabeleceu. Isso se deu a partir de décadas de lobby e de campanhas imigratórias promovidas pelos defensores do sionismo.

A grande questão é que a região já era habitada pelos árabes palestinos havia séculos e séculos. Para garantir a formação de um Estado judaico naquela região, foi formada a Organização Sionista Mundial, que passou a atuar na compra de terras na Palestina para arrendá-la aos judeus. A criação de Israel estabeleceu um conflito com os palestinos árabes que se estende até hoje.

O local escolhido para abrigar o Estado de Israel, a Palestina, região que foi habitada na Antiguidade pelos judeus (à época israelitas), e pelos filisteus (filistins, origem do nome palestina),além de arameus, hititas e outros povos. Região que tinha sido abandonada pelos israelitas devido à seca (à época do patriarca Jacó) e, mais tarde, também em razão da Diáspora em consequência da perseguição que sofriam dos romanos. Os filisteus, atuais árabes-palestinos nunca arredaram pé da região.

À medida que a presença judaica foi aumentando na Palestina, os problemas entre árabes e judeus também cresceram. Os palestinos começaram a se opor à presença judaica na Palestina, defendendo o seu direito a possuir aquela terra de maneira autônoma. Foi nesse cenário que a violência entre judeus e árabes ganhou força.

Os judeus formaram grupos paramilitares para se defenderem, como o Haganá e a Gangue Stern, atuando por meio de ataques terroristas. Os árabes, por sua vez, formaram forças militares para lutar contra o domínio britânico na Palestina e encerrar a migração judaica para a região. Com o tempo, a presença judaica aumentou, até que o fluxo de judeus para a Palestina ganhou enormes proporções durante a Segunda Guerra Mundial.

Como forte defensor da criação de um estado israelita e incondicionalmente apoiado pelos Estados Unidos, o Reino Unido usou de todo o seu poderio militar, econômico e político para emplacar a Resolução 181 da ONU que aprovou a divisão do território da Palestina.

Assim, 53,5% do território foi designado para ser Israel e 45,4% das terras seriam domínio dos palestinos, segundo a Resolução da ONU. Os judeus ficariam com a maior parte do território, mesmo tendo apenas 30% da população.

A cidade de Jerusalém ficaria sob controle internacional. Os judeus sionistas aceitaram a proposta, mas os árabes palestinos não. Com isso, em 14 de maio de 1948 foi proclamada a fundação de Israel.

A criação do Estado de Israel foi acompanhada de uma resposta dos países árabes vizinhos à Palestina que não concordavam com a criação de um Estado judaico em uma terra que previamente era habitada pelos árabes palestinos. De 1948 em diante uma série de conflitos aconteceram na região como fruto dessa disputa pelo território entre judeus e árabes.

O primeiro conflito foi a Primeira Guerra Árabe-Israelense, de 1948, em que diferentes nações árabes se uniram contra o recém-fundado Estado de Israel. Esse conflito teve duração de 1948 a 1949, se encerrando com a vitória israelense fortemente apoiada militarmente pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido e a ampliação de seu território. (Conflito conhecido como “nakba”).

“Nakba”, termo do árabe que é traduzido como “catástrofe”, resumindo bem o que foi o conflito para os palestinos. As conquistas israelenses na guerra de 1948 fizeram com que cerca de 700 mil palestinos fugissem de suas terras. A ONU estima, atualmente, que o número de palestinos descendentes da “nakba” estejam em cerca de 5 milhões de pessoas. Até hoje o Estado de Israel não permite o retorno dessas pessoas.

Desde então, outras guerras entre israelenses e palestinos foram travadas e os conflitos entre eles seguem em curso, com pequenos intervalos de paz, embora a proporcionalidade de forças hoje seja incomparável.

Enquanto Israel possui uma das forças militares mais poderosas do mundo, fortemente apoiado pelos Estados unidos e Reino Unido como sempre, a Palestina não possui reconhecimento internacional nem mesmo um território estabelecido.

Essa questão é justamente a luta do povo palestino pelo reconhecimento internacional da Palestina enquanto nação e pela delimitação do seu território. Muitos defendem a adoção da solução de dois Estados, isto é, a divisão do território para que Israel e Palestina possam coexistir de maneira pacífica, posição defendida pelo atual governo brasileiro.

A grande questão é que muitos observadores internacionais apontam que os palestinos são mantidos em um regime de apartheid por Israel. As condições de vida impostas aos palestinos na Faixa de Gaza são cada vez piores, e bombardeios israelenses na região são comuns. Isto além da dificuldade de acesso ao básico na região, como alimento, remédios, energia elétrica e água potável.

No caso da Cisjordânia, debate-se a progressiva ocupação do território por israelenses. Nas últimas décadas, o território palestino tem sido ocupado por assentamentos israelenses que forçam a migração da população palestina, se tornando alvo da violência cometida por forças militares de Israel.

Denúncias por muitos relatórios internacionais apontam que os palestinos são tratados como cidadãos de “segunda categoria”, sendo abertamente discriminados. Não há como se prever o término desse conflito.

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Antonio Roberto de Godoi, pesquisador

 

(FONTES — As fontes históricas, bíblicas, documentos e documentários utilizadas estão disponíveis a pedidos, destacando-se BBC Brasil. Al-Nakba;  A Doutrina Secreta. Helena P. Blavatsky; Brasil Escola.Criação do Estado de Israel; e Bíblia King James 1611; História Universal. Carl Grimberg, Publicações Europa América)

 

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