Barjas Negri
A crise hídrica de 2014/2015 acendeu a luz vermelha em praticamente todos os municípios do estado de São Paulo e, na Bacia Hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí não foi diferente. Numa eventualidade é preciso ter novas alternativas para o abastecimento dessas cidades. Piracicaba não é exceção e todo cuidado é pouco, pois sabemos que 90% da água captada para o abastecimento da cidade é proveniente da Bacia do rio Corumbataí e, apenas, 10% do rio Piracicaba.
Além de Piracicaba, a Bacia do Corumbataí pode ser a responsável pelo abastecimento total ou parcial da população de Analândia, Charqueada, Corumbataí, Ipeúna, Itirapina, Rio Claro e Santa Gertrudes. Qualquer estresse hídrico pode causa problemas de abastecimento nesses municípios. Por isso, o Comitê PCJ providenciou, atendendo a pedido dessas cidades – em especial Piracicaba e Rio Claro – a contratação de estudos técnicos especializados para compor um cenário alternativo ao longo de um período próximo de 20 anos. Deve-se levar em conta eventuais déficits hídricos nos sistemas de abastecimento d´água de Pira cicaba e Rio Claro.
No período de 2017 a 2020, além de ocupar o cargo de prefeito de Piracicaba, exerci o cargo de presidente do Comitê da Bacia do PCJ e acompanhei de perto toda essa articulação para a elaboração do “Estudo do uso dos recursos hídricos na Bacia do Rio Corumbataí”. Ele foi contratado junto à empresa Engecorps – Engenharia S.A., em outubro de 2018 pelo valor de R$ 470 mil reais.
O custo do estudo foi de responsabilidade da Agência das Bacias PCJ que financiou o estudo que teve o acompanhamento de todos os municípios da Bacia do Corumbataí, destacando o Semae – Piracicaba, maior usuário dos recursos hídricos dessa bacia, na época sob a presidência do engenheiro José Rubens Françoso, que acompanhou “mais de perto” todo o processo de sua realização.
O estudo foi concluído em junho de 2020, apresentando a possibilidade de solução com a construção de uma barragem entre três alternativas. A alternativa mais viável e oportuna é a construção de uma barragem na confluência do Ribeirão Cabeça e o rio Passa Cinco, nas divisas de Ipeúna e Rio Claro. Ela teria a capacidade de manter uma vazão de regularização de 2,137 m3/segundo.
Essa barragem deverá custar perto de R$ 54 milhões: desapropriações, EIA-RIMA, canteiro de obras e obras civis. Por se tratar de uma construção de âmbito regional há a necessidade de uma boa articulação com o governo por meio do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo). Aproxima-se a crise hídrica, que não deverá ser a última, e é preciso apertar o passo para a sua viabilização, que é muito demorada.
Falo isso pela experiência de ter participado de toda a articulação para as construções das barragens de Pedreira – em fase adiantada – e de Amparo, em fase inicial. As duas têm como objetivo garantir vazões de regularização na Bacia do PCJ.
Recentemente foi promulgada a lei estadual criando a Região Metropolitana de Piracicaba. Agora é preciso que se aprofunde os debates no seu Conselho de Desenvolvimento Regional e na Câmara Técnica de Saneamento ou de Recursos Hídricos. Um dos seus compromissos é viabilizar essa importante barragem ao longo dos próximos anos, que já recebeu manifestação de apoio do governo estadual, oficializada na recente visita a Piracicaba do vice-governador, Rodrigo Garcia, ocasião que participou da primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Piracicaba.
O ano de 2021 está se passando e não dá mais tempo de recuperá-lo, mas com liderança, planejamento e visão de futuro é possível evitar prejuízos hídricos ao longo dos próximos anos. A participação dos prefeitos nessa empreitada será fundamental. Mãos à obra!
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Barjas Negri, ex-prefeito de Piracicaba