Um olhar atento às vítimas da violência da mulher

Elisângela Pauli

Liliam Olegácio

 

A violência contra as mulheres ecoa nos mais diversos cenários, independente da classe social e do nível de escolaridade, o que se verifica, em suma, é a situação de vulnerabilidade emocional e o isolamento da vítima.

O tema é extenso e deve ser discutido com cuidado, a fim de pontuar o contexto histórico, cultural e político, porém, neste espaço, buscamos enaltecer o olhar das vítimas no seu ínfimo e trazer provocação neste sentido.

Para incentivar e ampliar a ruptura desta vítima com seu agressor, primeiramente a mesma precisa ter ciência de sua condição, logo, o aprimoramento deste combate deve contar com espaços que promovam debates, cursos, orientações e diretrizes voltados à aplicação da Lei Maria da penha (Lei 11.340/2006).

Mas isso não e tudo, uma vítima só avança e progride no processo de distanciamento do agressor quando ela se sente amparada.

Não é possível avançar no combate se não trouxermos às vítimas, uma rede de apoio que lhes assegurem das decisões e ofereçam segurança.

E foi observando esta fragilidade, o receio dos julgamentos perante o círculo de pessoas de se convívio e o medo de não receberem apoio, que as vítimas silenciam seu desejo em dar fim aquele relacionamento abusivo.

Atenta aos relatos das vítimas, oferecemos a elas a oportunidade de serem ouvidas e compartilharem suas histórias de forma anônima, sem identificação e em grupos tímidos, com poucas participantes.

Foi então que pudemos notar o impacto que o acolhimento somado a escuta qualificada das vítimas e a tão importante troca de experiência entre elas, trouxe consciência e provocação no sentido de identificar a abusividade da relação em que está inserida, sobretudo quando as vítimas recebem  o incentivo avassalador das ‘’ex-vítimas’’ quanto ser possível resgatar a si mesma e por fim àquele grito silenciado todos os dias por socorro.

De certo que o processo de desconexão com o agressor depende, primeiramente, da iniciativa da vítima, mas também de profissionais que corroborem com o processo individual da mulher através do apoio psicológico, assistencial, jurídico e, principalmente, o apoio dos familiares e do Estado no combate e conscientização do crime.

Em resumo, a desconstrução da violência exige novos olhares para além da judicialização, precisamos elucidar a sociedade civil sobre a violência de gênero com o apoio tanto das empresas privadas com a inclusão das mulheres em vagas de emprego, por exemplo, como também do incentivo financeiro pelo Governo Municipal, Estadual e Federal para que cidadãos sérios e comprometidos com ética e responsabilidade social possam conduzir projetos transformadores.

______

Elisângela Pauli, advogada, secretária jurídica do Partido Verde de Piracicaba, vice-presidente da Abrasta; Liliam Olegácio, agente de saúde do Município de Piracicaba

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima