Não se cospe no rio

Rafa Zimbaldi

 

Desde 1993, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Mundial da Água, em 22 de março, ocorrem atividades no parlamento paulista e nos municípios do nosso Estado. A data nos remete a um texto famoso do cronista Lourenço Diaféria, transformado em cartaz em Piracicaba, nos anos de 1980, sob o governo de João Herrmann Neto. No texto, afixado no antigo Bar do Ortiz, na rua Governador com a São José, o cronista ensinava, “ninguém deve cuspir num rio” e com ele, iniciava crônica que foi fundamental para instituir nova consciência sobre o valor da água em Piracicaba.

Foi naqueles dias também, sob intensa participação popular, que foi inaugurada a Praça do Protesto Ecológico. Piracicaba viveu dias de intenso debate sobre o projeto Cantareira que, para abastecer São Paulo, foi retirando pouco a pouco a água do rio, que empresta seu nome a esta cidade e que, vivo, caudaloso, nos deixa a todos felizes e, em contrapartida, em tempos de estiagem, entristece toda a cidade. Outro ponto, que é importante frisar, é a questão do abastecimento na cidade, que foi obrigada a recorrer a um rio afluente, o Corumbataí, para atender a demanda da população.

Também é possível listar outros fatores que contornam a história do rio. Passando do cinquentenário, o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae), instituído pelo então prefeito Francisco Salgot Castillon, transformou-se em autarquia. O Museu da Água é outro legado a se preservar, para lembrar das lutas antigas, manter nossa memória e a consciência sobre a necessidade de preservação dos nossos mananciais.

Piracicaba sempre foi pioneira na luta pelo seu rio e sua água. Foi a partir dela que se constituiu o Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que tem como presidente o prefeito, Luciano Almeida. O consórcio PCJ virou modelo para o país no que diz respeito às questões estratégicas sobre a água. O Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (CBH-PCJ), por exemplo, foi instalado já em 18 de novembro de 1993.

Que os próximos 22 de março seja para todos os piracicabanos momento de reflexão sobre a importância do patrimônio não só histórico, mas essencial à vida de todos nós, o nosso Rio. Que sua poesia se transforme em vida. Que suas corredeiras deixem o sabor gostoso da água de cada dia. E que possamos, irmanados, celebrar esta data, esta comemoração com a certeza de que dias mais auspiciosos são esperados pela população de Piracicaba. E que o novo governo municipal continue empenhando-se para que a água nossa de cada dia tenha um sabor de vida. Afinal, caro leitor e cara leitora, “não se deve cuspir no nosso rio”, como disse um dia Diaféria.

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Rafa Zimbaldi, deputado estadual pelo PL

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