O metodismo em Piracicaba

Darlene Barbosa Schützer

 

Viver a história através do metodismo.

Desde a infância ser metodista foi uma das faces mais importantes da minha identidade. Além de ter sido espaço onde talentos e habilidades floresceram, aquela igreja bonita, no centro da cidade, chamava atenção das amigas da escola, e eu as levava, orgulhosa, para conhecer a Escola Dominical.

Mas foi como jovem adulta que compreendi o significado da presença metodista em Piracicaba.

O metodismo chegou aqui com duas pernas – uma igreja e uma escola – e esse fato sempre foi determinante nos avanços e nas crises. Clérigos, leigos e missionários que circularam por essas duas instituições marcaram a percepção que a cidade foi montando do que seria um movimento religioso que se aventurou, ao longo de 14 décadas, na educação formal (além do Colégio Piracicabano, houve uma escola paroquial), no serviço social (as cestas do amor, o Lar Betel, AMAS com seus cursos e depois com a creche), e na cultura (corais, grupos de teatro, a diversidade de ações das Sociedades de Jovens e de Mulheres) – expressões de uma espiritualidade que remete seus seguidores a agir no mundo.

Nem sempre tem sido fácil. Os primeiros metodistas em Piracicaba enfrentaram a resistência da hegemonia católica mais conservadora. O ambiente da primeira metade do século XX trouxe sacolejos nas visões de mundo dentro e fora das igrejas, e na segunda metade o metodismo piracicabano participou de experiências de uma teologia mais voltada para os oprimidos, se conteve diante de embates práticos e sobreviveu através de soluções de compromisso mais equilibradas.

Neste momento não é fácil. A cidade se entristece com o desvanecer da abrangência da proposta educacional metodista; pessoas lesadas cobram respostas da igreja. Por seu lado, a igreja local sofre os reflexos da hesitação da liderança eclesiástica nacional que já foi mais comprometida com seus próprios fundamentos doutrinários.

Resistimos, pela fé e na esperança. Ser metodista em Piracicaba é experimentar o turbilhão da História ao mesmo tempo que se sente o sopro do Espírito.

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Darlene Barbosa Schützer, psicóloga. doutora em Educação; trabalhou na Unimep nas áreas de Música, Pastoral Universitária e Inclusão; atua na Catedral Metodista de Piracicaba

 

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