Na era do rádio

Antonio Carlos Bonassi

 

O filme O Discurso do Rei ganhou quatro estatuetas do Oscar em 2011: melhor filme, melhor diretor, melhor ator e melhor roteiro original. Mas a “vitória” também foi para um coadjuvante especial: o rádio. Um dos momentos mais interessantes nesse sentido acontece em um diálogo entre o pai, rei George V, e o filho, príncipe Albert, pai da rainha Elizabeth II, que se tornaria o rei George VI. Na ocasião, o pai explica ao filho: “Hoje já não basta mais posar como um grande general e comandante de tropas sobre o cavalo; precisamos entrar nas casas de nossos súditos”, mostrando o poder do rádio e seus desafios nos anos 1920, quando o rádio teve início.

Já em 1987, o cineasta Woody Allen lançou o icônico filme intitulado Na Era do Rádio, que descrevia a realidade de uma família na década de 1940, que embalava diariamente os seus sonhos pelos programas de rádio. Um relato emocionante de como as pessoas se concentravam em torno do aparelho de rádio, localizado na sala de jantar, em busca de entretenimento e informação, enquanto a televisão ainda ensaiava os seus primeiros passos.

Passados tantos anos, é natural que nos perguntemos qual é o papel que o rádio desempenha hoje junto aos veículos de comunicação. É importante ressaltar que, apesar do avanço de novas mídias e da expansão do acesso à internet, o rádio continua sendo um dos principais veículos de informação dos brasileiros, presente em 88,1% dos domicílios no país. E mais: uma das características que torna o rádio tão importante e imprescindível é a de transmitir a informação com mais rapidez do que qualquer outro meio. Ele foi o primeiro dos meios de comunicação de massa que deu imediatismo à notícia, pela possibilidade de divulgar os fatos no exato momento em que eles ocorrem. Com a convergência digital, o rádio se reinventou, sem contudo, mudar a sua essência. Adaptou-se sem modificar seu parâmetro de transmitir informação por som. E permite que as pessoas façam outras atividades paralelas quando estão recebendo essa informação, diferentemente de outras mídias. Em outras palavras, o rádio acompanha o dia a dia das pessoas e, dificilmente, existirá um outro veículo que permita fazer isso com tanta liberdade.

Assim, contrariando todas as previsões sobre seu fim, o rádio mantém-se como veículo de comunicação atual e indispensável, por meio de sua espetacular capacidade de adaptação às novas tecnologias, em especial à Internet.

Ao assumir recentemente o comando da Educativa FM, sei que serão muitos os desafios. Estamos no início dos trabalhos, mas a ideia é ampliar os espaços de participação dos artistas locais, abrindo o leque também para a criação de novos programas e o retorno de programas que correspondam aos anseios da comunidade. Além disso, queremos oferecer informação ágil e de qualidade, garantindo que a rádio seja um instrumento apto para comunicar, prover entretenimento e disseminar conteúdos educativos, a fim de construirmos um canal que possa efetivamente trabalhar em prol da utilidade pública.

O rádio é tão fascinante que inspira mentes brilhantes a pensá-lo na sua magnitude, caso do publicitário Bob Schulberg. Certa vez, ele disse que se a existência do rádio fosse posterior à da TV, provavelmente as pessoas diriam: “Que maravilhoso é o rádio: é como a televisão, só que não precisa nem olhar…” Assim, convido todos vocês para iniciarmos uma experiência única, que envolva cada ouvinte com a pessoalidade e personalidade da Educativa FM, uma rádio que nasceu em 7 de março de 1988 e hoje está plenamente identificada com a cara e a gente da nossa cidade. Vamos juntos mostrar que a era do rádio, agora associado à Internet, está apenas começando.

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Antonio Carlos Bonassi é diretor-presidente da Rádio Educativa FM de Piracicaba

 

 

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