Antonio Lara
No Brasil, deixando de lados demais povos, por mais otimistas que sejamos não podemos contornar ou camuflar essa realidade tortuosa que reflete, em grande parte, o caráter desonesto de nossa gente. Com isenção para o povo de boa índole; brasileiros, homens e mulheres, jovens e adultos, que, ano após anos, lutam honestamente com suas famílias, na busca do pão nosso de cada dia, sem ser devidamente remunerado pelo labor diário, ninguém escapa. Não há um só segmento, classe ou categoria de representação social deste país que não esteja envolvido em improbidades de toda sorte. Ultimamente, alguns advogados, por suas atitudes desonestas têm manchado a Ordem. Além dos causídicos, padres, pastores, professores, e o cacete a quatro, que eram casos isolados em questões desonestas, agora virou rotina.
O grande paradoxo dessa questão e o fato do país possuir notoriade de “nação cristã”. São 123 milhões de católicos e, dizem as estatísticas, mais uma população de 42 milhões de fiéis “evangélicos”. Com tanta gente se abeberando do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, que só ensinou o bem, não deveria haver tanta corrupção e tanta desonestidade, como há nos quadrantes da nação. Nesse caso, não é leviano deduzir que somos um país de cristãos nominais, em nenhuma responsabilidade de colocar em prática o que aprendemos nos catecismos ou, na escola dominical. Ou, quem sabe, dizer que as igrejas tidas como cristãs e seus lideres carismáticos, corromperam a mensagem do evangelho. Mensagem que não muda jamais.
A natureza venal dessa improbidade, muito além da desonestidade, se revela nos vícios do poder público que, desgraçadamente, se perpetuam. Seria demasiado longo, neste artigo de frases feitas, enumerar todos os tipos de falcatruas que são cometidos contra o povo.
Parece que o mundo de hoje é dos velhacos, dos trapaceiros, dos charlatões, infiltrados em todos os segmentos da sociedade. Deste modo, estamos todos privados de fim, de unidade e verdade. O mundo parece sem valor. Mundo em que a vontade legisladora de um “reino dos fins, infelizmente sucumbe diante da desonestidade dos que edificam” na construção de um “reino dos meios”.
Que enigma indecifrável é esse, à luz do pensamento humano, o da desonestidade? Qual é a origem dessa desonestidade, qual é seu fundamento? E por que o homem frauda o seu semelhante? A propósito roubos e assaltos crescem assustadoramente. São Paulo, nesta mega cidade, o roubo só cresce. E o pior: o carente está roubando de outro necessitado; o infeliz socialmente resolveu subtrair do seu chegado de infortúnio. Botijas de gás, em favelas e Cidades do Povo, estão guardadas em quatro chaves. É pobre roubando do pobre. Sinal dos tempos! Alguém pode responder essas questões? Uma coisa é certa, essas práticas nocivas inerentemente ligadas nas entranhas do próprio homem.
Afinal, os homens se esforçam mais por serem tidos como inteligentes (espertos) do que como honestos, suspeitando que no fundo a honestidade fosse pobreza de espírito.
Tal assertiva se aplica as palavras do Senhor Jesus Cristo: “Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus”. Em outras palavras: herdarão benesses numa outra aura de vida, não nesta. Não é a toa que os céticos zombam dessa máxima do evangelho, dizendo que a vantagem de ser honesto, é que a concorrência é pequena.
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Antonio Lara, articulista; [email protected]