O Camarista e o Salsicha

Osmir Bertazzoni

 

O nosso conviver social, após 63 anos de vida vividas, tornou-se unânime afirmar que, para entendermos nossa sociedade, deveríamos atentamente observar a maneira com que seus membros se utilizam de seus figurinos corporais. O mesmo pode ser dito para provocar o riso diante de patetices e ruídos sonoros, bravatas ou piadas.

Ariano Suassuna em análise da elite brasileira afirma: “uma quantidade de ideias frívolas e uma visão superficial do mundo e do ser humano que é uma coisa perigosa”.

Provocadoras de riso, ao passo que nos sugere o sentimento do que vimos e vivemos nos comportamentos inseridos no interior de grupos neofascistas com aparência de personagens de desenhos animados. Revivendo os personagens “Caçadores de Mistérios” Salsicha e Scooby.

O Salsicha sempre se apresenta com um refrão “no tocante a…”, rosna e causa imperiosas agressões.

Scooby, produz um sentimento de identificação com uma determinada visão de mundo, a vaidade e o medo, sempre se afigurando como o herói. Compreender o que um determinado grupo entende por risível é uma forma de decifrar os códigos sociais que o governa e a maneira com que se porta e encara o mundo.

Por toda nossa história o riso apresentou diversos significados e funções. Uma dessas funções é justamente a de contestar as regras e as ordens estabelecidas em todas as culturas, apontar falhas e fazer críticas. O riso é um instrumento de questionamento social.

Uma vez que a proposta é pensar o riso e como este atua no processo de questionamento de nossos valores, elegemos o palhaço Salsicha, seu agente por excelência, como a figura que me ajudará a entender todo este processo, já que o palhaço camarista provoca o riso justamente na inversão do normativo.

Machado de Assis disse que o Brasil se divide em dois: o país oficial e o país real (do povo). “Machado de Assis dizia que o país real é bom, revela bons instintos. Mas o país oficial é caricato e burlesco” (Suassuna).

Deste caricato comportamento – Salsicha — reflete uma sociedade ridicularizada por comportamentos dignos de uma ribalta circense, muitas vezes vestidos de personalidade embutidas de poder e eleitas pelo voto do povo, revelam-se como edilidade, homem eleito pelo povo, mesmo que por escolhas numericamente insignificantes se afloram de vingadores e perseguidores dos seus desafetos.

O Riso ao Salsicha é o que nos resta fazer, o atazanado pateta vereador é uma piada desagradável a inteligência e a intelectualidade de todo um povo afeto a cultura e a boa convivência social.

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Osmir Bertazzoni é jornalista e advogado.

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