Soldado de chumbo!

Francys Almeida

 

A criação de super-heróis sempre está ligada aos vilões, ou seja, o Batman precisa do Coringa, o Superman do Lex Luthor, Magneto VS X-Man, Thanos x Vingadores, e por aí vai, uma coleção quase sem fim.

Para todo herói, ao menos os que se prezam e desejam serem lembrados, sempre haverá um vilão poderoso e ameaçador o suficiente para enfrentar os personagens, trazendo o maniqueismo do bem contra o mal.

Dentro dos enredos, certamente os vilões em histórias de fundo interessantes e convincentes, um vilão pode ser tão amado quanto o herói.

O Brasil é recheado de super-heróis, salvadores da Pátria, principalmente nos últimos tempos, como Janio Quadros, Collor de Mello, Aécio Neves, Jair Bolsonaro… Todos, cada um a seu modo, surgiram com discursos inflamados e de soluções rápidas e objetivas.

No entanto, a realidade é dura, principalmente para a geração que foi enganada nos filmes do Rambo, iludidos que os Estados Unidos da América do Norte venceram o Vietnã, quando, na verdade, foram expulsos e humilhados, assim como no Afeganistão. O presidente Jair Bolsonaro tem esse perfil: foi criado como “mito” para ser o super-herói de revista em quadrinhos, precisa de guerra, confusão, briga, ódio, para se alimentar e justificar suas insanidades.

Já foram inimigos o presidente Jair Bolsonaro, dentre outros, a imprensa, o PT, Lula, Haddad, Rodrigo Maia, Moro, Globo, Huck, Doria, prefeitos, governadores, STF, Câmara, Senado, Toffoli, Barroso, Alexandre de Moraes, TSE,  urna eletrônica… Ele precisa de “vilões”, que o impeçam de trabalhar, para justificar o “golpe” que sonha há décadas.

Em Piracicaba, não é diferente: dois vereadores que se apresentam como super-heróis, um ameaça “derramamento de sangue”, mas não passa de fraco ideologicamente e que se apossou de um discurso de ódio para fazer carreira política. E se a Câmara levasse à risca o regimento, já o teria levado à Comissão de Ética.

O outro, mais histórico, é vingativo, ameaçador, rancoroso, esquecendo que esses sentimentos têm destruído sua vida, legado e moral, do delegado perseguido, ao jornalista ameaçado, ao vizinho coagido, mas a corrupção combate como? Todos, todos eles, precisam de vilões para se alimentar, são “homens de doce”, que certamente não serão lembrados por ações pelo município, mas, sim, pelo ódio dos outros e amor a si, bem acima da coletividade.

Essa geração é enganada por falsos heróis, piores que aqueles de Cazuza, que afirmava que os seus “morreram de overdose”; esses heróis morrerão, na própria mentira e na insanidade, restando-lhes o lixo da história.

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Francys Almeida, bacharel em Direito, síndico profissional, militante partidário (PCdoB) em Piracicaba

 

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