A CPI e Ricardo Barros

José Maria Teixeira

 

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instalada a contra gosto pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que só fez por ordem da Justiça, pois alegava ser aquele momento para conciliação dando argumentos pouco convincentes. Porém, ele sabia pelo objeto da CPI que apurar as causas e apontar os responsáveis pela tragédia da pandemia do Covid-19, três mil mortes por dia, provavelmente alcançaria o seu protetor e de seu grupo, o presidente Jair Messias Bolsonaro.

Estava ai a necessidade de impedir sua instalação e agora em andamento de destruí-la.  Na formação da CPI,  como presente de grego, já se introduziu a tropa de choque do governo para defendê-lo. E mais: ignorando a separação dos poderes, ampliou o objeto e que governadores e prefeitos também deviam ser ouvidos como casos conexos. Isto anularia a CPI pela extensão e complexidade dos trabalhos.

Como já se disse, são políticos hábeis que com discursos hiperbólicos transformam pedra em pão enganando a nação.

Nesta CPI, no entanto, pela postura firme e altamente comprometida com o interesse público, a Mesa Diretora já tem com justeza delineado o relatório da CPI, tendo ouvido os depoentes convocados e convidados agentes públicos ou não que, por algum motivo, estiveram e continuam envolvidos nas causas da tragédia da Covid-19. Recebidos os documentos comprobatórios dos depoimentos: videos, quebras de sigilos telefônicos, bancários, apreensão de celulares, participações em  reuniões e outros eventos correlatos, além de constituição e contratos de empresas farmacêuticas citadas como produtoras e fornecedoras de vacina e outros remédios ditos afins na cura. Tudo devidamente analisado por ténicos e especialistas.

Não obstante a tragédia venha atingindo todo o país, é incontestável ter a capital do Amazonas, Manaus, como contra-prova do transtorno sanitário. E é bom que se diga: promovido pelo Ministério da Saúde, sob o comando do então  ministro Eduardo Pazuelo, general da ativa do Exercito Brasileiro e do atual, que continua acompanhando o presidente como caixeiro viajante promovendo a cloroquina.  Foi em Manaus que o negacionismo abriu  espaço para a busca da imunização de rebanho experiência  frustrada. Até então, não se falava em compra de vacina o que era combatida e desacreditada pelo governo.

Foi lá, em Manaus, que se promoveu a alta promoção de remédios sem nenhuma eficácia comprovada para combater o coronavirus com grandes lucros aos laboratórios farmacêuticos. As causas, pois, serão fundadas no negacionismo assumido e propagandeado pelo governo das medidas cientificas apontadas para o combate à Covid-l9.

Trata-se de uma gripezinha. Nada de mascara ou de distanciamento. Curandeirismo, adoção do tratamento precoce, isto é, remédios sem nenhuma comprovação cientifica. Demora na aquisição da vacina até então desacreditada, assumida agora sob pressão e suspeita de negocio escuso. Dadas às causas, segue ser o responsável Jair Messias Bolsonaro, como presidente da Republica.

Porem, quanto ao titulo deste artigo, quero dizer, a Ricardo Barros, líder do governo, deve voltar a depor, ainda nesta CPI, na condição de convocado, duas coisas:

1º – Ele é convocado para dar explicação e não para confundir.

2º – Fala grossa e cara feia não são borrachas, não apagam imagem e nem historia de ninguém.

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José Maria Teixeira, professor

 

 

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